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Consciência negra e marcas africanas na cultura carioca
19 Novembro 2014 | Por Márcia Pimentel
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O Dia da Consciência Negra é feriado no Rio de Janeiro e integra o calendário escolar da cidade que, de acordo com o censo de 2010, tem o segundo maior número de pessoas autodeclaradas negras em todo o país. A data é comemorada em 20 de novembro, dia em que morreu Zumbi (1655-1695), o último líder do maior e mais conhecido quilombo da história colonial brasileira, o de Palmares, que se desenvolveu na antiga capitania de Pernambuco, na região da Serra da Barriga, onde fica, hoje, o estado de Alagoas.

A palavra quilombo significa “fortaleza” em quimbundo, um dos idiomas de origem banto, até hoje falado em algumas localidades de Angola e Moçambique. Era a língua corrente de Palmares, que começou a surgir em 1580, quando os escravos fugidos da capitania passaram a se refugiar na região e a se organizar em assentamentos chamados de mocambos. Sobreviviam da caça, da agricultura e das relações comerciais que estabeleciam com as populações circunvizinhas, com quem trocavam os produtos excedentes. No decorrer de quase um século, cerca de dez mocambos foram fundados na Serra da Barriga, até que, em 1670, eles se uniram sob a liderança de Ganga Zumba, o primeiro rei do Quilombo dos Palmares. Um dos motivos da aliança era resistir às expedições militares, cada vez mais numerosas, que tentavam exterminar a fortaleza negra em nome do poder colonial.

Depois de ter perdido a mãe em um dos ataques, Zumbi, ainda menino, foi entregue a um padre. No cativeiro do religioso, aprendeu a ler, a escrever e a falar latim. Com cerca de 15 anos, conseguiu escapar e retornar ao quilombo, que continuava a sofrer baixas diante das ofensivas cada vez mais violentas dos portugueses. Em 1678, o então governador da capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida, fez uma proposta de paz a Ganga Zumba: os escravos que se refugiavam nos mocambos deveriam ser devolvidos a seus proprietários; já os que haviam nascido em Palmares teriam sua liberdade reconhecida pela Coroa, desde que se mudassem para o Vale do Cucaú (no norte de Alagoas).

QUILOMBO-ZUMBI-INTERNAA cisão estava instaurada. Boa parte dos que se beneficiariam da liberdade achava razoável o tratado com o governo, pois terminaria com a sucessão de guerras e mortes. A outra parte, liderada por Zumbi, achava a proposta inaceitável, já que o fim do cativeiro deveria atingir todos os negros, e não apenas alguns: a luta era contra a escravidão. Em meio à confusão, Ganga Zumba acabou envenenado e os que se transferiram para o Vale do Cucaú foram reescravizados pelos portugueses. Zumbi virou o segundo rei do quilombo e resistiu, em sua luta utópica, até 1695, um ano após Palmares ter sido destroçado pelas tropas do bandeirante Domingos Jorge Velho. Mesmo tendo conseguido escapar, um ano depois foi traído por um antigo companheiro e degolado no dia 20 de novembro, aos 40 anos de idade.

Por considerar Zumbi o símbolo da resistência contra a escravidão, a lei federal nº 10.639, de 2003, transformou a data de sua morte no Dia da Consciência Negra, e tornou obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileiras.

Endossando não só tais orientações curriculares, mas também com o objetivo de promover o conhecimento dos cariocas acerca de suas matrizes culturais, o Portal da MultiRio está produzindo uma série jornalística sobre os negros do Rio de Janeiro e as fortes marcas históricas e culturais que eles legaram para a cidade. Para conhecer seu conteúdo, clique nos textos relacionados abaixo e fique de olho nos outros que ainda serão publicados.

 
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