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Bossa nova mundo afora
SÉRIE
Rio de Música
24 Março 2015 | Por Sandra Machado
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chegaA expressão que dá nome ao estilo significa, essencialmente, um novo jeito de executar uma tarefa – no caso, a de fazer música, ou melhor, tocar o samba com uma levada do jazz norte-americano. Um dos mais conhecidos produtos de exportação da indústria cultural brasileira, a bossa nova teve origem nos bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro, no fim da década de 1950, quando rapazes e moças da classe média se reuniam para tocar violão, cantar os sucessos de época e, se possível, apresentar as próprias composições. O movimento ganhou um bom impulso quando dois desses jovens – Roberto Menescal e Carlos Lyra – abriram um espaço para dar aulas do instrumento.

Julho de 1958 estabelece um marco: a gravação de um disco simples de João Gilberto pela Odeon, que inaugurava uma nova forma de acompanhamento rítmico e, também, de cantar, substituindo o padrão da voz impostada, hegemônico até então, por um jeito mais intimista de soltar a voz. No lado A estava Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. No lado B vinha Bim-Bom, do próprio João Gilberto, baiano que passou a ser imitado pela grande maioria dos pretendentes a uma carreira artística, como Lyra, Menescal, Ronaldo Bôscoli e Nara Leão. Em março de 1959, Chega de Saudade deu o título ao primeiro LP de João, sendo também faixa de abertura do álbum.

A partir daí, tanto aprendizes quanto músicos profissionais – Tom, Vinicius, Sylvinha Telles, Baden Powell, entre outros – começaram a promover jam sessions, chamadas de Festival de Samba Moderno ou Comando da Operação Bossa Nova, com apresentações que costumavam acontecer nos campi universitários ou em emissoras de rádio. O impulso definitivo para a internacionalização do gênero veio em novembro de 1962, com o primeiro Festival de Bossa Nova, realizado no mais importante templo da música nos Estados Unidos afrosamba– o Carnegie Hall, de Nova York. O evento aconteceu muito em função da associação de Tom Jobim e João Gilberto ao saxofonista Stan Getz, ganhador do Grammy pela melhor interpretação de jazz em 1963, com Desafinado, de Jobim e Newton Mendonça. A partir daí, artistas brasileiros passaram a gravar, regularmente, trabalhos de bossa nova fora do país. Lançado em 1990, o livro Chega de Saudade, do jornalista Ruy Castro, registra com detalhes esse feliz período da história da MPB.

Informalidade faz parte da receita

O jeito informal, característico do meio urbano carioca, onde as mais distintas classes sociais compartilham cotidianamente ruas e praias, favorece a mescla de tendências também na arena da cultura. Essa é a opinião de Pedro Paulo Malta, jornalista, cantor e pesquisador musical. Para ele, a discussão a propósito da “pureza” dos gêneros é um modelo ultrapassado. “Há quem critique as nuances jazzísticas da bossa nova, esquecendo que o samba, de onde ela se origina, também já era ‘impuro’. Além do mais, artistas do porte de Dick Farney e Johnny Alf, fundamentais naquela época, estavam no Rio.” Apesar dos pseudônimos americanizados, os dois eram brasileiríssimos. E, segundo o livro de Ruy Castro, teria sido Johnny Alf, mulato tijucano assim como Tim Maia, o verdadeiro pai da bossa nova.

 
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