Processo Seletivo DAF 2021 12


Da série
Bairros Cariocas
14 Outubro 2014
 

ilha homePara a maioria dos cariocas, a Ilha do Governador é um bairro. Mas, na verdade, trata-se de uma região administrativa da Zona Norte do Rio, à qual pertencem 15 bairros, de Bancários a Zumbi. Antes de ser doada por Mem de Sá ao sobrinho Salvador Correa de Sá, que foi o segundo governador do Rio – daí o nome da localidade –, ela já se chamou Ilha de Paranapuã, Ilha do Mar, Ilha dos Maracajás, Ilha do Gato, Belle Isle e Ilha dos Sete Engenhos.

Seus primeiros habitantes, os índios temiminós, ocuparam a região até novembro de 1555, quando foram expulsos pelos franceses e seus aliados, os tamoios. O intuito de Nicolas Durand de Villegagnon, oficial da marinha francesa, era fundar na cidade a França Antártica. A invasão, no entanto, perdurou por pouco mais de quatro anos. Na defesa do território, os portugueses foram auxiliados pelos temiminós, sob o comando do cacique Arariboia, e, ao fim das disputas, o processo culminou na fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro por Estácio de Sá, em 1565. Contudo, apenas na batalha final, marcada para 20 de janeiro de 1567, em homenagem ao dia de São Sebastião, os franceses foram definitivamente expulsos.

Mem de Sá dividiu, então, a região em duas sesmarias e doou a maior delas a Salvador Correa de Sá, no ano de 1570. A segunda sesmaria passou às mãos do almoxarife-geral do governo colonial na cidade, Rui Gonçalves. O engenho de cana que Salvador Correa de Sá mandou construir na sua propriedade foi o primeiro a produzir açúcar no Rio de Janeiro.

No século XVII, as duas sesmarias foram, por sua vez, divididas. As terras das fazendas Tubiacanga, Itacolomi, Flecheiras, Galeão e São Bento foram doadas aos beneditinos, que iniciaram a criação de aves e porcos, o cultivo de verduras e de frutas, além de produtos da base alimentar dos índios, como o milho, a mandioca e o inhame. A eles se deve, também, um aumento considerável na produção açucareira. Para fazer escoar tamanho volume de mercadorias, indispensáveis ao abastecimento da capital, o movimento das embarcações se intensificou. Entre o fim do século XVIII e o início do século XIX, surgiu, ainda, um novo fator de valorização da ilha: a fabricação de peças de porcelana, a partir da argila pura, extraída do Morro da Cruz.

Três anos depois de aportar na cidade, em 1808, d. João VI decretou a criação de uma “coutada real” na ilha, que era um modelo europeu de área destinada à caça esportiva. Dois anos mais tarde, os monges beneditinos mandaram construir, em suas terras, um palacete para o soberano. A partir da segunda metade do século XIX, foram instaladas indústrias para o fabrico de tijolos e telhas, como a Fábrica de Produtos Cerâmicos Santa Cruz, localizada na Fazenda da Conceição, atual Jardim Guanabara, e, também, fábricas de formicida, para combater as saúvas, bastante prejudiciais à agricultura.

Apesar da importância econômica da região, foi só a partir da ligação com o continente, por meio de barcas a vapor, primeiro na Freguesia (1838) e, mais tarde, nos atracadouros do Galeão e da Ribeira, que se conseguiu implementar, de fato, o desenvolvimento econômico.

ponteA Ilha do Governador na atualidade

O adensamento populacional, contudo, só viria na década de 1930, quando se iniciou o serviço de telefonia e a circulação de ônibus e bondes elétricos dentro da ilha. A ponte que rompeu seu isolamento em relação ao continente só foi inaugurada em 31 de janeiro de 1949. Em maio de 1972, um decreto municipal criou a XX Região Administrativa, com jurisdição sobre 24 ilhas, além da Ilha do Governador propriamente dita, e sobre os 15 bairros em que ela se divide. Sua posição geográfica foi estratégica para determinar a instalação da Base Aérea do Galeão, de três unidades do Corpo de Fuzileiros Navais e da Estação de Rádio da Marinha na área.

A partir de janeiro de 1977, o Aeroporto do Galeão, também conhecido como Antônio Carlos Jobim, que já operava desde 1952 para rotas domésticas, passou a atender, também, voos internacionais. Na Ilha existe, ainda, o maior campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, complexos petroquímicos da Shell e da Esso, um estaleiro, fábricas e uma infinidade de microempresas. O lazer fica por conta de grandes clubes – Guanabara, Iate Clube Jardim Guanabara, Jequiá, Governador, Cocotá, Portuguesa e Associação Cristã de Moços –, teatros, salas de cinema, e, com destaque, três escolas de samba: Boi da Ilha, Acadêmicos do Dendê e a mais famosa, União da Ilha do Governador. Há dois grandes espaços para a prática de esportes: o Corredor Esportivo do Moneró e o Parque Manuel Bandeira.

Marcos históricos da Ilha

sagradaUm templo importante para o patrimônio local é a Capela Imperial Nossa Senhora da Conceição, situada na Praia da Bica, no Jardim Guanabara. Sua construção se iniciou em 1625, quando pertencia à Fazenda da Conceição, e ela só foi doada pelo capitão André de Barbosa Cirne à Arquidiocese do Rio de Janeiro cerca de 150 anos depois.

Outra construção muito antiga é a Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda, erguida entre 1710 e 1741. Tombada em 1938 pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, esteve fechada para reformas entre 1976 e 1990, quando foi reaberta ao público. Mais um templo de relevância é a Igreja da Sagrada Família, também conhecida como Igreja do Morro do Ouro, construída em 1913 pelos franciscanos. O símbolo da ordem está presente, até hoje, na fachada da igreja.

Um ponto que chama a atenção para quem vem de fora é a conhecida Praça do Avião, bem em frente ao Colégio Brigadeiro Newton Braga. Ali, em 1969, foi instalado o avião modelo Gloster Meteor, prefixo 4438, primeiro caça a jato usado pela Força Aérea Brasileira, na década anterior, e que se tornou um ponto turístico. Nos anos 1990, a nave foi transferida para o Museu Aeroespacial e, em seu lugar, ficou uma réplica, em fibra de vidro, do modelo AMXA-1A, que, a bem da verdade, não tem o mesmo charme do antecessor.

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