08 Maio 2014
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Noos 02valendoO espaço escolar é vivo e reflete a sociedade em que se insere. Violência, conflitos e dificuldades vivenciados no ambiente social e familiar dos alunos são transportados para a escola e afetam as relações de ensino-aprendizagem. Faz parte do cotidiano de muitos educadores lidar com essas questões.

Muitas vezes, situações de risco e de vulnerabilidade se tornam visíveis através da dificuldade de relações sociais, nas interações com os colegas, no desempenho acadêmico e no modo como a criança e o adolescente cuidam ou se referem à escola, conforme sinaliza a equipe do Núcleo Interdisciplinar de Apoio às Unidades Escolares (Niap), da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. 

O órgão destaca três situações de risco mais comuns entre os alunos. A primeira delas é quando crianças e jovens precisam reforçar ou mesmo ser integralmente responsáveis pelo orçamento doméstico – sem que isto signifique, para a família, um tratamento inadequado. A segunda situação, bastante comum, é a de crianças que cuidam de irmãos menores, ajudando no deslocamento até a escola, preparando refeições e se encarregando da higiene deles. E, por último, a falta de um trabalho que una esforços de familiares e escola. Segundo o Niap, a família muitas vezes espera uma colaboração que extrapola as possibilidades do que a escola pode oferecer. Do mesmo modo, a escola frequentemente solicita uma participação e um acompanhamento que a família não consegue garantir.

O grande desafio da escola pública hoje, ainda de acordo com o Núcleo Interdisciplinar, está justamente no acolhimento desses alunos, e, por isso, a equipe orienta os profissionais envolvidos com esse público a estarem disponíveis para ouvir suas questões e a se organizarem coletivamente para possibilitar novas aprendizagens e encontrar saídas diferenciadas.

Unir forças para não paralisar

O mais grave é quando a escola se paralisa frente às dificuldades. Não há um modelo ou um protocolo a seguir. As equipes do Niap, compostas por psicólogos, assistentes sociais e professores, em parceria com as escolas, procuram encontrar estratégias e ações que produzam modos diferenciados de enfrentamento dos problemas.

A psicóloga Valéria Marques, do Núcleo, explica que “o trabalho é coletivo, não individualiza questões. Não se trata de um ‘aluno-problema’, mas de entender que aquele aluno que apresenta alguma alteração momentânea de comportamento, como agressividade ou hiperatividade, por exemplo, faz parte da escola, e que a ela cabe promover ações conjuntas para cumprir sua responsabilidade de atender às necessidades do aluno”.

A partir de problemas comuns a muitas escolas da Rede Municipal foram definidos temas, como “saúde mental e educação” e “conselho tutelar”, para reflexão em grupos, que envolvem professores, diretores, alunos e familiares. “O objetivo é construir respostas em conjunto porque saberes diferentes em interação podem criar múltiplos enfrentamentos de uma determinada questão”, esclarece Kátia Rios, professora e assistente do Niap.

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