Da série
Bairros Cariocas
25 Março 2014
0
0
0
s2sdefault
 

Guadalupe é um bairro de classe média e média baixa da Zona Norte da cidade em plena fase de transição. Teve um passado essencialmente industrial e hoje flerta com um futuro voltado para a arte e a cultura. Lá existem indústrias no ramo de alimentos e de química, mas, ao mesmo tempo, centros de eventos e de formação artística, como a Lona Cultural Municipal Terra e o Ponto Cine, primeira sala popular de cinema 100% digital do Brasil.


ConjuntoO bairro de Guadalupe já foi conhecido pelo nome de Fundação, numa referência indireta ao Conjunto Habitacional Presidente Getúlio Vargas, construído às margens da Avenida das Bandeiras, entre 1953 e 1954. A obra foi realizada por iniciativa do primeiro órgão federal dedicado à moradia, a Fundação da Casa Popular, para trabalhadores de baixa renda. O projeto do arquiteto Flávio Marinho Rego representava o que havia de mais arrojado na época em termos de urbanismo, já que contemplava 1.314 unidades, atendidas por uma área comum que incluía parques esportivos, escola, posto de saúde, entre outras instalações.

As formas sinuosas de parte dos 26 blocos, inspiradas no traço de Le Corbusier, respeitavam a vegetação encontrada no terreno: um bosque com cerca de 200 mangueiras adultas. Lamentavelmente, ao longo dos anos, a área sofreu um grande processo de degradação, e muita coisa mudou desde a década de 1950. A Avenida das Bandeiras, também conhecida como “Variante de acesso a Petrópolis”, hoje se chama Avenida Brasil e se tornou a mais importante via expressa da cidade. Seja por conservadorismo, seja por saudosismo, moradores antigos de Guadalupe ainda se referem à Avenida Brasil como a “Variante”.

Variante2A mudança do nome do bairro também aconteceu durante o segundo mandato de Getúlio Vargas (1951-1954). Teria sido uma sugestão de Darcy Vargas, esposa do presidente da República, em homenagem à padroeira da América Latina, Nossa Senhora de Guadalupe. Na Praça Eugênio Latour, por sinal, fica a Paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe, inaugurada em 9 de maio de 1949. Um dos estabelecimentos de ensino mais tradicionais é o Colégio Pio XII, fundado em 23 de fevereiro de 1951.

A região onde se localiza Guadalupe pertencia à Fazenda Boa Esperança, na Freguesia de Irajá, de propriedade da família Costa Barros. As terras, nas cercanias do Rio Sapopemba, deram origem, também, aos bairros de Costa Barros, Barros Filho e Honório Gurgel. Outros bairros que fazem limite com Guadalupe são Ricardo de Albuquerque, Pavuna, Anchieta, Marechal Hermes e Deodoro. Segundo o Censo 2010 do IBGE, a população do bairro era de 47.144 moradores, com 25.513 mulheres (54,12%), 16.069 pessoas até 24 anos (34,08%) e 7.672 idosos (16,27%).

Guadalupe é bem servido de linhas de ônibus, que fazem ligação para vários pontos da cidade. No bairro está situada a Academia do Corpo de Bombeiros, responsável pela formação dos militares. Na Rua Calama se oculta uma experiência arquitetônica inusitada na cidade, que data do fim da década de 1940: as residências iglus, um conjunto de casas construídas no formato esférico.  Mas a principal rua do bairro é a Marcos de Macedo, onde fica a Lona Cultural Municipal Terra.

Lona Cultural batizada em homenagem a Caetano

Inaugurada no ano de 2000 como parte do Programa de Fomento à Cultura Carioca, a Lona Cultural Municipal Terra fica na esquina da Praça Edson Guimarães com a Rua Marcos de Macedo, s/nº. Seu nome foi inspirado na canção Terra, de Caetano Veloso, que morou na casa de parentes em Guadalupe, no ano de 1956.


Além de servir de espaço para apresentações de música e de teatro, a Lona oferece uma série de cursos e oficinas. Música (violão, bateria, teclado, guitarra, canto popular e percussão); teatro (teatro infantil, roteiro e criação de histórias, palhaçaria); dança (do ventre e cigana); desenho (desenho artístico e artes plásticas); técnicas de embelezamento (manicure, depilação e corte de cabelo); e, ainda, capoeira e informática. “No momento, capoeira infantil, palhaçaria, roteiro e percussão estão sendo oferecidos gratuitamente”, informa Alberto de Avyz, coordenador do Núcleo de Oficinas.


Ponto Cine: iniciativa supera fomento ao cinema

ponto cine3A sala tem apenas 73 lugares. O que não impediu o Cinema Ponto Cine de se tornar o maior exibidor de filmes brasileiros em todo o país, em número de títulos e dias de exibição. É, também, a primeira sala de cinema da América Latina a receber o Selo de Carbono Livre. A projeção convencional com o uso de películas gera corte de árvores em diversas fases da cadeia produtiva do cinema, o que não existe no Ponto Cine, porque ele é 100% digital. Inaugurado em maio de 2006, o espaço funciona dentro do Guadalupe Shopping.

Mídias Relacionadas
Bairros Cariocas
Mais da Série
Relacionados
Mais Recentes