08 Outubro 2019
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Ida ao quilombo Cafundá Astrogilda, no Parque Estadual da Pedra Branca (foto: arquivo da professora)

Yasmim Ribeiro, professora de Geografia na E.M. Frei Gaspar (7ª CRE), no Recreio dos Bandeirantes, tem uma característica especial: todo ano ela promove diversos trabalhos de campo com as turmas de 9º ano. Só em 2019, já houve cinco. “O aprendizado de Geografia não deve se limitar à sala de aula. Quando saio com os alunos, eles desenvolvem o olhar geográfico para o mundo. Passam a conhecer melhor o território que ocupam”, explica a professora.

Há trabalhos de campo simples, como quando a professora leva os alunos para observar o Canal do Rio Morto, em frente à escola. “Observamos o desmatamento, a erosão, analisamos a qualidade da água”. Outras aulas-passeio já exigem mais planejamento, como ir ao quilombo Cafundá Astrogilda, localizado no Parque da Pedra Branca. Nas aulas que antecedem a excursão, a professora fala sobre a África e a turma lê sobre o fenômeno dos quilombos no Brasil. No dia da visita, Sandro, um dos moradores do quilombo, serve de guia na trilha que leva ao local, repleta de árvores e ar fresco. Durante o caminho, de acordo com as perguntas da turma, ele responde sobre aspectos físicos ou históricos e os adolescentes aprendem que não é apenas o saber científico que tem valor, o das comunidades tradicionais também deve ser valorizado. O grupo é recebido com um café tradicional quilombola – aipim e batata doce cozidos, suco de frutas do quintal, bolinho de chuva etc. Depois, os estudantes colhem o aipim e conhecem objetos de época como ferro de passar roupa a carvão e fotos antigas. No final, todos tomam banho de cachoeira.

Aula de campo, com o apoio de graduandos de Oceanografia da Uerj, na Praia do Recreio dos Bandeirantes (foto: acervo da professora)

Outra aula de campo é feita em conjunto com alunos de Oceanografia da UERJ na praia do Recreio dos Bandeirantes. Nas aulas preparatórias, os estudantes conhecem amostras de corais, animais e vegetais marinhos e aprendem sobre o motivo de a água do mar ser salgada, por que há areias mais grossas e mais finas e os processos erosivos. Depois, no Posto 12, durante a aula prática com a professora e os universitários, dividem-se em grupos e passam por um circuito para observar a topografia e perceber que, de acordo com a declividade, a onda é mais ou menos forte, quebra de uma forma ou de outra; com um kit os grupos analisam o PH, a salinidade e o oxigênio da água; aferem a direção do vento; observam a fauna do costão rochoso (algas e cracas); aprendem que a arcada dentária do tubarão permite saber se o animal habitava águas mais frias ou mais quentes, de menor ou maior profundidade. A experiência termina com o grupo experimentando stand up em uma prancha feita com garrafas pet.

Para os locais próximos da escola, a professora marca com os estudantes um ponto de encontro, para os mais distantes, ela mesma liga para as instituições, explica a importância do projeto pedagógico e verifica a disponibilidade de transporte para os estudantes. Dessa forma, já conseguiu levá-los ao AquaRio e à Ilha Fiscal; ao Centro Cultural Light e ao Museu Casa do Pontal. No Centro do Rio de Janeiro, a professora mostra aos estudantes como há mais densidade populacional e construções verticalizadas do que na região onde habitam – Vargem Grande, assim como os impactos ambientais – tráfego pesado, poluição etc. “Tenho muito prazer em dar aula para a Educação Básica. Acredito no potencial transformador da educação pública de qualidade”, conta Yasmim, graduada em Geografia pela UFF, mestre e doutora pela UFRJ (Coppe e Prourb).

Abaixo, mais alguns registros das aulas de campo de Geografia do acervo da professora Yasmim Ribeiro:

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