04 Setembro 2019
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Pixabay

O mundo está vivendo uma situação crítica: segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 8 milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos a cada ano e 83% da água das torneiras contêm partículas de plástico. Além disso, em 2018, durante o Congresso Europeu de Gastroenterologia, em Viena, foi apresentado um estudo que encontrou microplásticos em amostras de fezes de italianos, japoneses, holandeses, poloneses, russos, finlandeses, austríacos e moradores do Reino Unido.

 

“A ingestão de microplásticos é danosa para o homem. Como o plástico tem lenta e difícil degradação e assimilação pelo meio ambiente, sua vida útil é muito elevada, o que acentua a possibilidade de acidentes de obstrução das funções celulares”, explica David Zee, engenheiro e professor da Faculdade de Oceanografia da Uerj. Zee diz também que “as partículas e pedaços de plástico são ótimas para reter e agregar substâncias químicas e microrganismos na sua superfície, tornando-se tóxicos ou patógenos. Por isso, sua absorção pelo ar ou por ingestão pode transportar uma contaminação indesejada. Além disso, a absorção constante e permanente acarreta o acúmulo deste material plástico no nosso organismo podendo provocar possíveis obstruções ou mesmo dificultar as trocas gasosas e químicas que dependemos para viver”.

Plástico biodegradável

A equipe do Laboratório de Biopolímeros e Bioengenharia da Coppe/UFRJ já é capaz de fabricar plástico biodegradável, ou seja, “materiais cuja degradação resulta primariamente da ação de microrganismos de ocorrência natural, como, por exemplo, fungos e bactérias, gerando dióxido de carbono (CO2), água e biomassa na presença de oxigênio. Por serem totalmente degradados em substâncias simples, eles não oferecem risco à natureza nem ao ser humano”, relata Rossana Thiré, chefe da área de biomateriais da Coppe. Rossana conta que o uso do plástico biodegradável é ainda bastante restrito porque, “em geral, estes plásticos apresentam preço muito mais elevado do que o dos plásticos sintéticos tradicionais e apresentam algumas propriedades como resistência mecânica, propriedade de barreira etc. inferior aos plásticos tradicionais”.

Rossana acredita que o principal problema em relação ao plástico tradicional é a forma como ele está sendo utilizado e, principalmente, descartado. “É necessário que haja investimento na coleta seletiva, em usinas de compostagem, aterros sanitários, estações de reciclagem, etc. e na conscientização pela redução de desperdício de plástico e otimização da cadeia produtiva. Ou seja, será necessário um esforço global envolvendo todos os setores da sociedade, incluindo nós mesmos”, ressalta a pesquisadora.

Rede Pública Municipal de Ensino

“A escola é um espaço de formação, de promoção da reflexão e do diálogo. Nessa perspectiva, faz realmente a diferença na construção de uma nova consciência, voltada para a sustentabilidade”, diz Thatiana Gonçalves, assessora da Coordenação de Projetos de Extensão Curricular (Cpec) da SME. Thatiana explica que a temática da sustentabilidade está permeando todos os projetos de extensão da Rede, para que os estudantes possam pesquisar, se apropriar das informações e processá-las em trabalhos escolares. Além disso, a Cpec promove ações mais específicas como visitas guiadas por professores à Floresta da Tijuca e ao Cristo Redentor; teatro de fantoches itinerante para as crianças da Educação Infantil, com o tema relacionado ao lixo, e mostra anual das experiências pedagógicas escolares ligadas à educação ambiental.

Experiências como a dos professores de Educação Física da E.M. Olegário Mariano (5ª CRE), em Rocha Miranda, que usaram material reciclado em jogos e brincadeiras para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2019. As professoras Alessandra Cândido, Ana Paula Souza, Lígia Seixas e Verônica Barros relatam que observaram interesse e curiosidade dos alunos em saber no que o material destinado à reciclagem pode se transformar.

Como reduzir o plástico

O tema da sustentabilidade permeia o trabalho de muitos professores da Rede Pública Municipal de Ensino, inclusive os de Educação Física, como se pode ver nesse banner feito para um seminário de experiências pedagógicas promovido pela Escola de Formação Paulo Freire em 2019 (foto: arquivo da professora)

David Zee, que também é presidente do conselho consultivo da ONG Defensores da Terra, diz que “toda e qualquer iniciativa para substituir o plástico por outros materiais mais facilmente biodegradáveis é muito bem vinda e inteligente. Precisamos restabelecer a ciclagem natural do planeta e reduzir este elevado ciclo do plástico que adoece o planeta. A consciência das pessoas em contribuir e ajudar a substituir o uso do plástico é muito importante para viabilizar a continuidade da humanidade no planeta”.

Cada pessoa pode ajudar de diversas formas: não usar copos plásticos; reduzir ao máximo o uso de sacolas plásticas; separar e levar material plástico para reciclagem; dar preferência a recipientes de vidro ou cerâmica para armazenar os alimentos.

É preciso lembrar que não existe “jogar fora” quando se trata de lixo, principalmente plástico, porque esse material criado pelo homem leva mais de 100 anos para se decompor. Segundo David Zee, “acredita-se que, na prática, o primeiro plástico que chegou aos oceanos ainda não foi digerido ou decomposto em função da sua elevada vida útil”.

Breve história do plástico sintético

O metalúrgico inglês Alexandre Pakers criou, em 1860, a partir do nitrato de celulosa, uma resina chamada parkesina, precursora dos polímeros, os constituintes do plástico sintético. Em 1870, Wesle Hyatt, tipógrafo americano, aperfeiçoou a celulóide (versão comercial do nitrato de celulosa) adicionando piroxilina, cânfora, álcool, polpa de papel e serragem. O objetivo de Hyatt era substituir o marfim das bolas de bilhar para ganhar um concurso.

Em 1930, criou-se o poliestireno, cujas matérias-base são eteno e benzeno. Sua produção comercial começou em 1936 na Alemanha e, em 1949, surgiu a primeira fábrica brasileira do produto, a Bakol S.A, em São Paulo.

O plástico tornou-se um sucesso mundial porque substituiu com vantagens de performance uma série de matérias-primas utilizadas pela humanidade há milhares de anos, como vidro, madeira, algodão, celulose e metais. Além disso, a substituição de matérias-primas de origem animal como o couro, a lã e o marfim possiblilitou o acesso a bens de consumo pela população de baixa renda.

O conhecimento dos mecanismos de polimerização continua a se expandir, com o desenvolvimento de materiais plásticos de alta resistência ao calor, os chamados tecnopolímeros ou polímeros para engenharia. A versatilidade do plástico é inegável. No entanto, os danos que inflige ao homem estão nos desafiando a encontrar caminhos mais responsáveis, que não causem prejuízos irreversíveis à vida no planeta.

Em 2015, a ONU lançou um plano de ação para desenvolvermos a sustentabilidade planetária até 2030. Nele estão contidos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem alcançados. Alguns estão diretamente ligados ao combate à poluição por plástico. Veja:

ODS 3 – Saúde e bem-estar.

ODS 6 – Água potável e saneamento.

ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis.

ODS 12 – Consumo e produção responsáveis.

ODS 14 – Vida na água.

Para saber mais sobre os ODS, leia a série de reportagens Agenda 2030.


SOS Mar

Que tal aprender brincando? Essa é a proposta do game SOS Mar, da MultiRio. O jogo é baseado nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e no Plano de Desenvolvimento Sustentável da Cidade do Rio de Janeiro. O jogo conscientiza crianças e adolescentes sobre a importância da preservação dos oceanos. No game, o jogador precisa recolher o lixo no mar e preservar os animais marinhos. SOS Mar foi produzido pela MultiRio em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e com o Escritório de Planejamento da Casa Civil da Prefeitura do Rio de Janeiro.

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