17 Julho 2019
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As turmas do EDI Gabriela Mistral (2ª CRE), na Urca, aproveitam o entorno da escola para aulas ao ar livre (foto: Alberto Jacob Filho)

Diversos estudos atestam que alunos curiosos aprendem mais. Em 2018, a revista científica Nature publicou uma pesquisa feita por pediatras e outros especialistas da Universidade de Michigan, nos EUA, segundo a qual crianças que expressaram mais curiosidade ao longo da primeira infância demonstraram ter mais conhecimentos em leitura e matemática ao ingressar no sistema de ensino obrigatório (o que, nos EUA, ocorre aos 5 anos).

Além disso, os pesquisadores descobriram que crianças curiosas de baixo nível socioeconômico tiveram desempenho semelhante ao de seus pares mais ricos.

Os especialistas acompanharam 6.200 crianças. Eles aferiram a curiosidade por meio de questionários comportamentais respondidos pelos pais em quatro momentos da vida dos filhos: ao nove meses, aos 2 anos, ao entrar na pré-escola e ao entrar no equivalente ao Ensino Fundamental. As habilidades de leitura e matemática foram mensuradas nesse último momento. Segundo a líder do estudo, a pediatra Prachi Shah, a curiosidade se caracteriza pela alegria da descoberta, pelo desejo de explorar e pela motivação em buscar respostas para o que não se sabe.

Aulas ao ar livre

Uma boa forma de estimular a curiosidade das crianças são as atividades fora dos muros da escola. O Espaço de Desenvolvimento Infantil Gabriela Mistral (2ª CRE), na Urca, está situado entre a Mata Atlântica e a Praia Vermelha. As professoras da unidade aproveitam a vizinhança para desenvolver trabalhos extra muros.

A professora Marcele Sales, por exemplo, levou a turma de quatro anos para mostrar como a areia da praia fica suja quando deixamos o lixo para trás. E que esse hábito danoso prejudica o mar e os animais marinhos. A ação foi batizada de Guardiões do Planeta e os estudantes entraram na brincadeira com suas máscaras coloridas.

Jornada Pedagógica 2019

O tema da Jornada Pedagógica 2019 é justamente Criança e Natureza – práticas e trajetórias. Entre os dias 15 e 19 de julho, os profissionais da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro têm oportunidade de conhecer experiências exitosas sobre o tema e refletir sobre como é possível usar o ambiente em prol da melhoria da educação de nossas crianças.  São cinco rodas de conversa com os seguintes participantes e temas:

1) Maria Clara Boing, educadora no CCBB Educativo e Nathalia Roitberg, gestora no Museu de Ciências da Terra (MCT) – reflexão a respeito da relação da criança pequena com a natureza e as possibilidades de ação do profissional da Educação Infantil na prática cotidiana;

2) Nazareth Salutto, professora da UFF e Nuelna Vieira, diretora da Casa Monte Alegre – Espaços naturais com bebês.

3) Léa Tiriba, professora na Escola de Educação da Unirio e Katia Bizzo, professora do Centro de Referência de Educação Infantil no Colégio Pedro II – a potência das experiências e narrativas no ambiente externo.

4) Luciane Frazão, doutora em Educação, trabalha na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Tecnologia e Patricia Braun, professora no Cap-Uerj – Estética do corpo e inclusão na Educação Infantil.

5) Georgete Barboza, doutoranda em Educação na UFRRJ e Maíra Freitas – professora-assistente no CAp-Uerj – transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental.
Esse material está disponível no Portal MultiRio.

Leitura para crianças curiosas

Quando o assunto é curiosidade, os limites se expandem. Elika Takimoto, coordenadora de Física do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), ao voltar de um curso de capacitação no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear – Cern, se deparou com as perguntas do filho pequeno, que queria saber o que acontece no maior laboratório de aceleração de partículas do mundo.

Elika procurou algum livro que a ajudasse a explicar ao menino, mas só encontrou material técnico ou enfadonho. Decidiu, então, escrever o livro infantil Isaac no mundo das partículas, para crianças a partir dos 6 anos, com ilustrações de Sergio Conte. Criou uma história que aborda questões como a composição de tudo o que existe; o início do mundo; as partículas invisíveis, que juntas formam todos os seres animados e inanimados.

Considerando a curiosidade infantil, diversos outros livros contribuem para ampliar o repertório das crianças. Publicações como:

Zoom, de Istvam Banyai, editora Brinque-Book

Antes, depois, de Anne-Margot Ramstein e Mathias Aregui, editora Livros da Raposa Vermelha

Pequenas histórias para grandes curiosos, de Marie-Louise Gay, Brinque-Book

A história de tudo, de Neal Layton, Companhia das Letras

Girafa tem torcicolo, de Guilherme Domenichelli e Jean-Claude Alphen, Panda Books

A incrível fábrica de cocô, xixi e pum, de Fátima Mesquita e Fábio Sgroi, Panda Books

Curiosidade premiada, de Fernanda Almeida e Alcy Linares, Ática.

Como se vê a curiosidade é como um novelo, que uma vez puxado nos leva a encarar a vida com a coragem das perguntas. Sorte das crianças que possuem professores dispostos a ajuda-las nesse caminho.

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