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VI Semana de Alfabetização
11 Setembro 2018
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Thiago Gomide, assessor especial da MultiRio, auxilia Naara Maritza, professora alfabetizadora, que é observada pelas colegas Cássia de Souza e Marly Gonçalves (Foto: Alberto Jacob Filho).

“A escola tem uma responsabilidade social. As crianças não chegam totalmente iletradas. Elas vão ao supermercado, ao shopping, acompanham a mãe na inscrição para o Ensino Fundamental, conhecem o valor da escrita, da leitura e da Matemática em diferentes momentos sociais. Cabe aos professores desenvolver competências e habilidades”. Essa é a convicção de Marly Gonçalves, professora alfabetizadora da E.M. Holanda (11ª CRE) que se apresentou na tarde do primeiro dia da VI Semana de Alfabetização, evento organizado pela Gerência de Alfabetização da Secretaria Municipal de Educação.

Em seu projeto Recontando Histórias, ela utiliza livros de literatura com o 1º ano. “Minha principal preocupação não é corrigir as crianças quando escrevem. Procuro acolhê-las e incentivar que mostrem o que sabem. A partir da produção, norteio os rumos do aprendizado.”

Mais duas professoras alfabetizadoras mostraram suas experiências escolares. Naara Maritza, do Ciep Doutor Bento Rubião (2ֺª CRE), na Rocinha, mostrou o livro interativo que construiu com seus alunos. A ideia surgiu a partir de sua preparação para um seminário sobre professores pesquisadores de suas próprias práticas. No livro, a turma apresentou o Brasil para colegas de Bogotá, na Colômbia. “Eles conversaram via WhatsApp e webcam com estudantes colombianos e trocaram informações sobre os países: comidas, futebol, festas tradicionais, meios de transporte, dinheiro etc. A partir das pesquisas, produziram diversos gêneros textuais – convite, receita, guia turístico. O Duolingo (plataforma dedicada ao ensino de idiomas) ajudou no espanhol. Mostrei a eles que a gente usa a escrita para viver. Em uma das atividades, eles queriam escrever Flamengo. O dígrafo só aparecia mais à frente no Caderno Pedagógico, mas isso não representou dificuldade e lógico que escrevemos Flamengo. A realidade se sobrepôs à cartilha. Trabalhamos a Matemática de diversas maneiras. Fizemos, por exemplo, um cardápio dizendo quanto custava uma coxinha de galinha em reais e na moeda colombiana, e calculamos o fuso horário entre os dois países, desenhando os ponteiros dos relógios. Por meio do Google Earth, vimos um pouco de Bogotá.”

Cássia de Souza, professora da E.M. Edmundo Bittencourt (1ª CRE), mostrou o projeto Descobrindo o Egito, que desenvolveu por ocasião da Copa do Mundo de Futebol. “Quis sair do eurocentrismo e privilegiar um país da África, falar dos negros como protagonistas”, explicou a professora. Ela trabalhou a escrita com palavras típicas: faraó, múmia, deserto. Noções de Geografia também tiveram lugar de destaque na busca do país no globo terrestre. Com a Matemática, explorou formas geométricas a partir da pirâmide.

A partir da esquerda: Renata Surrage, Márcia Dias, Roberto Antunes e Marcellus Silveira, professores coordenadores na SME de Língua Inglesa, Educação Física, História e Geografia, respectivamente (Foto: Alberto Jacob Filho).

Além das experiências de campo, a tarde contou com a participação de Renata Surrage, Márcia Dias, Roberto Antunes e Marcellus Silveira, professores coordenadores na SME de Língua Inglesa, Educação Física, História e Geografia, respectivamente. Eles falaram sobre como cada uma dessas áreas pode contribuir no processo de alfabetização. Renata disse que “segundo pesquisas, o aprendizado de Língua Inglesa não atrapalha a alfabetização na língua materna. O aprendizado se dá por meio de experiências e, nesse sentido, a língua adicional só tem a contribuir”.

Márcia Dias falou que a Educação Física agrega na saúde geral e no desenvolvimento da oralidade. Roberto Antunes salientou que a nova concepção de História mostra que ela é feita por todos, pelo povo, e não pelos grandes personagens, em datas fixas. Por isso, devemos ensinar para as crianças a história do local onde estão inseridas. Marcellus Silveira lembrou que, de acordo com a nova Base Nacional Comum Curricular, é preciso também alfabetizar para História e Geografia. “Nos primeiros anos, devemos ensinar espacialidade e privilegiar a própria história de vida dos alunos”, afirmou.

Matemática – Como ensinar?

André Régis, doutorando em Educação pela UFRJ, explicou como a Matemática pode ser mais atraente (Foto: Alberto Jacob Filho).

O doutorando em Educação pela UFRJ André Luiz Régis foi convidado para falar sobre numeramento. Ele compartilhou com o auditório cheio de professores da Rede como o ensino da Matemática pode ser mais eficiente e acessível. “Mais importante que apontar o erro é perguntar para o aluno como ele chegou àquele resultado. Há estratégias diferentes de cálculo. Propor desafios e suscitar a curiosidade também motiva”, explicou André. Ele indicou o livro Mentalidade matemática, de Jo Boaler, que traz atividades práticas e divulga a ideia de que todos podem aprender.

A MultiRio transmite ao vivo a VI Semana de Alfabetização aqui no Portal e no Facebook. Confira a programação: quarta-feira (12), das 9h45 às 12h e das 14h15 às 17h; sexta-feira (14), das 9h30 às 12h e das 14h30 às 16h30.

Acompanhe também a cobertura do evento, atualizada ao longo da semana. Em breve, os vídeos das palestras e debates também estarão disponíveis.

VI Semana de Alfabetização
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