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Perfil do Professor
19 Dezembro 2017
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Márcia Carvalho de Sá foi condecorada com a Medalha Carioca de Educação em 2017

"Disciplina é fundamental. Primeiro é preciso ter modos para depois aprender o conteúdo”, enfatiza Márcia Carvalho, diretora há 30 anos da E.M. Pedro Lessa (4ª CRE), em Bonsucesso. A escola está situada entre diversas comunidades que enfrentam conflitos armados com frequência, como Manguinhos, Jacarezinho e os complexos da Maré e do Alemão, e atende, principalmente, crianças vindas dessas regiões. “Cobro respeito com os profissionais e entre os próprios estudantes, o uso do uniforme e tratar bem os professores – o normal”, diz ela.

 A diretora explica que os alunos sofrem com a suspensão das aulas quando há confronto acirrado, mas que a escola, mesmo com essa dificuldade, teve nota 5,6 para os anos iniciais e 5,7 para os anos finais no Ideb. O índice, que monitora a qualidade da Educação Básica no Brasil, preconiza que as escolas atinjam a média 6 em 2021. “Quando há desavenças entre os estudantes dentro da unidade, nós chamamos os envolvidos e cada um expressa sua posição, enquanto o outro escuta, para que possamos, juntos, resolver a questão. E a briga acaba”, conta Márcia.

Em outubro, ela foi uma das três pessoas homenageadas com a Medalha Carioca de Educação, dada pelo Conselho Municipal de Educação. Criada em 2006, a condecoração premia personalidades que contribuem de maneira significativa para a qualidade do ensino na cidade do Rio de Janeiro. A cerimônia de entrega aconteceu na Escola de Formação do Professor Carioca – Paulo Freire, no Centro. A indicação para a condecoração foi feita pelo Conselho Escola Comunidade da E.M. Pedro Lessa, formado por professores, funcionários, pais e alunos. “Sou querida pela maior parte da comunidade escolar onde estou inserida. Muitos ex-alunos buscam a escola para matricular os filhos e netos porque confiam no meu trabalho. Além disso, há três professores em nosso quadro que estudaram aqui.”

Ela diz, com orgulho, que a E.M. Pedro Lessa possui infraestrutura adequada e que os professores cumprem a carga horária integralmente. Há, inclusive, uma sala de recursos para crianças com necessidades especiais, como cegos, surdos e autistas. Lá, são atendidos 18 estudantes da própria escola mais dez de outras unidades. Nesse local, além de estimular o desenvolvimento das crianças, a professora orienta os responsáveis sobre os serviços públicos disponíveis na cidade.

Márcia é estimada pela comunidade escolar

Márcia já poderia se aposentar, mas diz que ama o que faz e, em vez disso, aos 60 anos, mantém-se atuante. Ela participa do Conselho de Diretores, que se reúne bimestralmente com o secretário de Educação para tratar de assuntos concernentes à Rede Municipal de Ensino.

 Trajetória

Desde o primário, na antiga Guanabara, Márcia estudou na rede pública. Cursou a Escola Normal Carmela Dutra e a Faculdade de Letras (Português – Literatura) da UFRJ. Entrou para os quadros do Município via concurso em 1977, indo lecionar na E.M. Bahia (4ª CRE), em Bonsucesso. Em 1985, fez concurso para mais uma matrícula e ficou lotada na E.M. Francisco Caldeira de Alvarenga (10ª CRE), em Santa Cruz. “Já fiz de tudo em uma escola: fui coordenadora de turno, auxiliar de agente de núcleo (administrava o ponto dos funcionários, entre outros afazeres), multimeios (eventos), diretora-adjunta – todas as funções.”

Em 1987, houve a primeira eleição para diretores de escola na Rede Municipal e Márcia se candidatou, sendo eleita para a E.M. Pedro Lessa. Desde então, vem se reelegendo para a função com pelo menos 85% dos votos.

Ela é casada há 28 anos, mas não teve filhos. Atualmente, mora também com a mãe e, nas horas de lazer, gosta de ir para sua casa de veraneio, em Iguaba, curtir as sobrinhas-netas.

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