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V Semana de Alfabetização
20 Setembro 2017
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As relações entre crianças e natureza no processo de alfabetização foram o tema da palestra da doutora em Educação Sandra Regina Pinto dos Santos, diretora do Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), realizada nesta quarta-feira, 20, na V Semana de Alfabetização. A especialista iniciou informando que 75% do que existe no mundo é invisível aos nossos olhos, seja por estar acima ou abaixo da nossa capacidade de enxergar, e que o paradigma moderno da razão linear está em crise, questionado pelo paradigma da complexidade, característico do século XXI. “Não dá para jogar fora a fé como sinônimo de vida, porque isso nos desumaniza. E, aí, eu posso jogar fora, no leito do rio que passa ao lado de onde moro, aquilo que não me serve mais; eu transfiro o problema para o outro.”

Com graduação e mestrado ligados às ciências biológicas, ela fez um panorama do percurso científico da humanidade, do século XVI aos nossos dias, passando pelas contribuições de cientistas e artistas para o conhecimento de que dispomos, até chegar aos desafios atuais, nos quais tempo e espaço são relativos, segundo o físico Albert Einstein, e tudo que existe é composto por pacotes de energia, segundo a teoria quântica.

De acordo com Sandra, ao trabalhar alfabetizando crianças, as professoras devem levar em conta o caráter não linear da produção de conhecimento, o fato de ciência e ludicidade caminharem juntas, especialmente tratando-se de crianças pequenas, e a importância do afeto, essencial no processo.

Professoras da Rede

A palestra de Sandra dos Santos fez parte da mesa “Ensino de Ciências como elemento partícipe da alfabetização plena”, na qual duas professoras da Rede Pública Municipal contribuíram com seus relatos de projetos no cotidiano escolar.

As professoras Sandra dos Santos (à esquerda), Sandra Barros (ao centro) e Janine Veiga compuseram a mesa "O ensino de Ciências como elemento partícipe da alfabetização plena" (Foto: Larissa Altoé)

Sandra Barros, do Ciep Darcy Ribeiro, em Campo Grande (9ª CRE), contou como estimula os estudantes dos anos iniciais por meio da observação e cuidado com pequenos animais, como as borboletas – sua grande paixão –, além de joaninhas e grilos. Ela costuma colocar uma lagarta em pote de plástico transparente para que os alunos possam alimentá-la com folhas e perceber as metamorfoses pelas quais passa. Ao fim do processo, acompanha o encantamento das crianças ao soltar o bichinho colorido no ar. Além da observação e do cuidado, os alunos produzem um livro escrito e desenhado por eles. O último foi intitulado Lagarta é inseto?.

Janine Veiga, da E.M. São João Batista, em Cordovil (4ª CRE), também desenvolve um projeto interdisciplinar com seus alunos do 2º ano. Em 2017, o tema são os animais do fundo do mar. Durante o processo de pesquisa e leitura, feito em conjunto com os estudantes, eles constataram que o lixo é um problema grave para muitas espécies marinhas, como as tartarugas, que confundem plástico com algas e acabam morrendo ao comê-lo.

A partir daí, Janine procurou mostrar como a questão do lixo é um problema pertinente ao ser humano. Ela e a turma observaram o pátio antes e depois do recreio durante uma semana, fotografando o ambiente, e perceberam que, após o lanche, o espaço era tomado por lixo e pombos. A professora os levou também para observar o Rio Irajá, que, embora corte todo o bairro, é conhecido por eles como um valão e possui muito entulho, como carcaça de carro, brinquedos e roupas. Eles leram a Carta da Terra para Crianças, versão infantil do documento da Rio-92, e desenharam autorretratos em que propunham ideias para diminuir o lixo em seu entorno.

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