13 Julho 2016
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O único esporte olímpico em que homens e mulheres competem em igualdade de condições possuiu uma história milenar. Os primeiros relatos de que se tem notícia sobre o adestramento de cavalos para fins militares remonta a 1.360 a.C. Os povos asiáticos começaram a montá-los a fim de se locomover mais rapidamente pelos campos de plantio e áreas de caçada.

Além do uso prático, a parceria entre homens e cavalos ganhou espaço nas competições esportivas. Na edição de 648 a.C dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, há registros da inclusão da corrida de bigas – prova em que essa espécie de charrete era puxada por dois ou quatro cavalos.

Durante as provas, os conjuntos também devem superar obstáculos com água (Foto: Jean-Sebastien Evrard/AFP)

Entre os séculos XV e XVIII, o hipismo foi redescoberto pelos europeus, que passaram a realizar campeonatos e utilizar os animais para as caçadas. No Brasil, a primeira competição hípica ocorreu em abril de 1641, em Mauricéa, onde hoje está o Recife. O Torneio de Cavalaria surgiu de uma iniciativa do príncipe holandês João Mauricio de Nassau. Nos séculos XVIII e XIX, cavalgadas e outras disputas como corridas e simulações de combate se tornaram comum no eixo Rio-São Paulo.

Em 1881, a Real Sociedade de Dublin desenvolveu o que serviria de molde para os torneios atuais. A sociedade – que já havia inovado anteriormente ao promover provas de salto em altura e em distância – criou uma pista em que os conjuntos (nome dado ao par formado por cavalo e cavaleiro ou amazona) deveriam superar diferentes obstáculos.

Nos Jogos Olímpicos da Era Moderna, o esporte estreou com provas de salto na edição de 1900, em Paris. Em 1912, a modalidade voltou, em Estocolmo, e permanece até hoje. O retorno na capital sueca marcou, ainda, a entrada de outras duas disciplinas: o adestramento e o concurso completo de equitação (CCE). As três formam o programa olímpico do esporte regulado pela Federação Internacional de Hipismo (FEI), fundada em 1921.

Particularidades

Curiosamente, até os Jogos de Londres (1948), apenas militares competiam. A regulamentação caiu em 1951 e, nos Jogos seguintes, em Helsinque, foi permitido que mulheres e civis integrassem as provas ao lado dos homens, sem distinção por gênero.

No percurso das disputas de saltos, se os cavalos derrubarem ou tocarem as barras, os conjuntos são punidos (Foto: Jean-Sebastien Evrard/AFP)

Por ser o único esporte em que homem e animal disputam juntos, os cavalos são avaliados pelas regulamentações do Comitê Olímpico e, se um dos animais é pego no doping, o cavaleiro também é punido. Para os campeonatos, os cavalos viajam em aeronaves exclusivas. Eles possuem passaporte próprio que contém uma descrição física detalhada, lista de competições e vacinas tomadas.

Alguns dos atletas mais velhos na história dos Jogos praticavam hipismo. A amazona britânica Lorna Johnston competiu em Munique (1972), aos 70 anos. Já o austríaco Arthur Von Pongracz tinha 72 anos e 59 dias quando participou das provas em Berlim (1936), sendo o segundo atleta mais velho da história olímpica, ficando atrás apenas do atirador sueco Oscar Swahn, que tinha 72 anos e 281 dias quando participou dos Jogos da Antuérpia, em 1920.

Adestramento

A modalidade estreou com provas individuais nos Jogos de 1912, em Estocolmo. Já o evento por equipes começou a ser disputado em Amsterdã, em 1928. O objetivo é avaliar a condução do conjunto, verificando a capacidade da montaria de responder aos comandos do homem na execução de movimentos específicos.

A performance dos atletas é avaliada por sete juízes. Entre os quesitos, o mais importante é o controle do cavaleiro ou da amazona sobre o animal, sendo que até a postura da cabeça do cavalo é levada em conta. A dupla que receber a melhor avaliação é a vencedora. Os erros são informados por sinos e, após três erros, o cavaleiro é eliminado. Durante a apresentação, realizada em uma área plana, o cavaleiro não pode fazer qualquer tipo de som.

São disputadas provas individuais e por equipes, com três cavaleiros, simultaneamente. Elas possuem três fases:

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Concurso Completo de Equitação (CCE)

Com origem militar, surgiu com a filosofia de ter os cavalos mais ágeis e resistentes para qualquer tipo de combate. A diminuição dos conflitos armados fez a prática crescer como esporte e, em 1912, estreava no programa olímpico dos Jogos de Estocolmo. O CCE é considerado uma espécie de triatlo equestre por reunir provas de adestramento, saltos e cross country.

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Cavaleiros e amazonas competem em mais de um dia com o mesmo cavalo nas três provas, e as pontuações valem tanto para as individuais quanto por equipes. Na individual, o resultado final corresponde ao número total de penalidades acumuladas e, nos times (formados por três ou quatro conjuntos), apenas a pontuação dos três melhores é levada em conta.

Saltos

É o evento mais antigo do hipismo e sua primeira competição oficial data de 1900, na Irlanda, no mesmo ano em que estreava nos Jogos Olímpicos, na edição de Paris. O objetivo é completar – no menor tempo possível – um circuito com 8 a 12 obstáculos, que incluem barras paralelas, fossos e pequenos muros, sem derrubar elementos da pista, desviar na trajetória, colocar as patas na água, refugar ou ultrapassar o tempo limite para a apresentação. Essas ações são faltas que somam pontos, e o vencedor é quem contabilizar o menor número de infrações. São disputadas dois tipos de provas:

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Hipismo paralímpico

A atleta australiana Joann Formosa nos Jogos Paralímpicos de Londres 2012 (Foto: Ben Stansall/AFP)

Em comparação à tradição da modalidade olímpica, o hipismo paralímpico possuiu uma história bem recente. Os primeiros torneios aconteceram por volta de 1970, no Reino Unido e em países da Escandinávia. Estreou nos Jogos de 1984 em Nova Iorque (EUA); e Stoke Mandeville (Inglaterra). Porém, a pouca popularidade o manteve de fora dos Jogos até a edição de 1996, em Atlanta, quando integrou definitivamente o programa paralímpico.

A transferência da regulamentação do Comitê Paralímpico Internacional para a Federação Internacional de Hipismo, em 2006, ajudou a popularizar a modalidade. No Brasil, é praticada desde 2002 e a primeira vaga do país para os Jogos foi conquistada por Marcos Fernandes Alves, conhecido como Joca, após o atleta faturar duas medalhas de ouro no Parapan de Mar del Plata, em 2003.

A prova de adestramento é a única dos Jogos Paralímpicos. Cavaleiros e amazonas competem juntos em eventos individuais e por equipes. A pista possui adaptações de acessibilidade para oferecer maior segurança aos atletas e é menor do que a da competição olímpica. Além de rampas de acesso, a areia é mais compactada, facilitando a locomoção, e são utilizados sinais sonoros para orientar os competidores cegos.

Os cavaleiros e amazonas são separados por classes, dependendo do tipo de deficiência de cada um.

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Nos Jogos Olímpicos, são disputadas provas de adestramento individuais, por equipes (de três a quatro integrantes) e freestyle. Os competidores devem executar uma série de movimentos pré-determinados: passos, trotes e galopes. No freestyle, os movimentos são livres e realizados ao som de uma música. Juízes espalhados pela arena avaliam a precisão dos movimentos, os erros são notificados por meio de sinos e o conjunto que tiver as melhores notas vence a prova.

Fontes: Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paralímpico Brasileiro e Confederação Brasileira de Hipismo.

 
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