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Perfil do Professor
13 Maio 2016
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roberto dentroForam 15 anos na Guarda Municipal. Parte deles, no grupo de Turismo, especificamente na orla de Copacabana, onde Roberto Dana ouvia histórias de muitas crianças que tinham parado de estudar. “Conversava com elas, perguntava o porquê, queria entender. Mas eu não podia fazer nada, já estava no final da corda. Nós, guardas, éramos chamados de ‘faxineiros da sociedade’”.

Hoje, Roberto é professor de uma turma do 6º ano experimental do Ciep Herivelto Martins (9ª CRE), em Santíssimo. É apaixonado pelo que faz, adorado pelos alunos e um exemplo de vida não só para eles, mas para cada um que conhece a sua história: uma história de quem acredita no outro e na construção de um mundo melhor – e quer fazer parte disso.

O momento da mudança

A rotina de trabalho e os tantos relatos que Roberto ouvia o levaram a um quadro de depressão. Depois de um tempo, ele passou em um concurso interno, indo trabalhar no Centro de Operações, onde foi estimulado por alguns colegas a cursar uma faculdade. Ingressou no curso de História e, no meio do caminho, decidiu dedicar-se também à Pedagogia, concluindo as duas graduações.

Nessa época, Roberto já atuava em alguns colégios particulares na região de Jacarepaguá. Em 2010, saiu da Guarda Municipal e dedicou-se exclusivamente ao trabalho de professor. Com o desejo de estar à frente de uma escola pública, ele prestou um concurso e, em 2014, entrou para a Rede Municipal do Rio, lecionando na E.M. Paulo Renato de Souza, em Cosmos, em uma turma de 3º ano. “Minha maior dificuldade foi integrar os alunos. Eles vinham de comunidades diferentes, viam-se como rivais e mudar essa visão me deu muito trabalho. Atividades sobre os 450 anos do Rio, por exemplo, ajudaram a fazê-los se perceberem como parte de uma mesma cidade.”

Um ano depois, Roberto assumiu uma turma de 4º ano e, em 2016, um novo desafio foi proposto ao professor: atuar no 6º ano experimental. “Era tudo o que eu queria. São alunos de uma faixa etária que já é formadora de opinião. Podem ser multiplicadores”, conta. “Certo dia, por exemplo, houve um incêndio nas proximidades da escola, que usei como ponto de partida para uma discussão sobre o que são as queimadas. Perguntei o que eles achavam sobre o ocorrido, se era um ato criminoso; enfim, busquei debater e levá-los à reflexão. Quero que se percebam como seres sociais, que sintam que fazem parte da sociedade”.

Incentivo e estímulo aos alunos 

Roberto Dana com seus alunos durante o projeto feito sobre o Holocausto (Foto: Arquivo pessoal do professor)

Atencioso e sempre disposto a propor novos projetos e desafios aos alunos, Roberto fica atento a datas de inscrição de concursos e olimpíadas regionais ou nacionais para os estudantes participarem. “O aluno precisa estar focado em algo para se sentir estimulado. Os projetos e concursos ajudam muito nisso. Eles vêm à escola com prazer e o índice de faltas é mínimo.”

Alguns exemplos são a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), que acontece no mês de maio; e a Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa, entre agosto e setembro.

Escola e família

Para o professor, a maior dificuldade é lidar com a questão familiar de seus alunos. “É essencial que os responsáveis percebam sua importância na rotina escolar da criança. As gerações estão se encurtando e a experiência de vida não está sendo passada para os filhos. Os pais trabalham e fica difícil acompanhar os estudos em casa. Então, muitos acabam jogando a responsabilidade, por exemplo, para o irmão mais velho”, comenta Roberto, casado e pai de dois filhos.

Segundo ele, a relação familiar também implica certa carência afetiva por parte dos alunos – prontamente “curada” nos braços do professor. “A maioria deles vem de famílias matriarcais, não tem a figura masculina em casa. E, se eles não têm essa figura paterna, por que vou negar isso? Eles se jogam em mim, me abraçam, querem me contar tudo, me veem e viram bebês!”

“O que me dá vontade de seguir são os alunos, que, mesmo cheios de problemas, querem superar e estudar para conseguir chegar ao lugar dos sonhos. Aprendo muito com eles, com a experiência de vida de cada um. Se eu tivesse que me aposentar hoje, aos 45 anos, me sentiria satisfeito com meu trabalho.”

 

 

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