Processo Seletivo DAF 2021 12


20 Agosto 2020
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Angela Moura, diretora da E.M. Maestro Francisco Braga. Acervo pessoal

Para várias escolas da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, o período de suspensão das aulas presenciais, em função da pandemia de Covid-19, não tem sido só de perdas. Apesar do impacto causado pelo isolamento social, muitas delas – como diz o ditado popular – “fizeram do limão uma limonada”. Com os recursos possíveis, essas unidades de ensino aprenderam a trabalhar de forma remota, obtendo resultados bastante satisfatórios, como é o caso da E.M. Maestro Francisco Braga (11ª CRE), localizada no bairro da Portuguesa, Ilha do Governador.  Realizando projetos que reforçam o vínculo com a comunidade escolar, como o Mais Unidos do Que Nunca, e apoiada em seu Projeto Político-Pedagógico de 2020 – Que Haja Transformação e Que Comece Comigo –, a escola tem tido a adesão de cerca de 75% dos alunos às atividades pedagógicas remotas. “Consideramos um número muito bom, visto que, no ensino presencial, também não alcançamos 100% de adesão a todas as atividades”, avaliou a diretora Angela Moura.

A EMAC Coelho Neto (6ª CRE), em Ricardo Albuquerque, contabilizava, durante o primeiro semestre, um retorno de 60% dos alunos às atividades pedagógicas, um número tido como expressivo diante da realidade de uma parte considerável das famílias dos estudantes. A maioria dos 40% restantes não tem acesso à web. A expectativa, contudo, é de que a adesão aumente no segundo semestre, com o lançamento do aplicativo Escola.Rio e o patrocínio da internet dos alunos das escolas da Rede Municipal. No entanto, o diretor Mário Jorge Pereira de Sousa lembra que o aluno precisa ter em mãos um celular apropriado. Fora isso, considera que o acompanhamento do ensino remoto pelos estudantes também depende de outros fatores, como a adoção de estratégias junto aos responsáveis: 

“De forma geral, crianças e adolescentes não têm maturidade para se organizarem sozinhos e destinarem um período do dia para aprenderem sem a presença do professor. É fundamental que um adulto estipule uma rotina de estudos, em casa, e verifique se ele está cumprindo o combinado”, explicou.

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Aluna do 7º ano da EMAC Coelho Neto foi citada no Material de Complementação Escolar da SME de 17/08, por seu trabalho de História. Reprodução

Para conquistar o apoio das famílias logo após a suspensão das aulas presenciais, o diretor da EMAC Coelho Neto se valeu da proximidade que já tinha com os responsáveis, antes da pandemia. Comunicativo e carismático, pegou o telefone e fez contato com todos os que tinham o número atualizado, a fim de conversar sobre a maneira como a escola iria funcionar remotamente e sobre a importância de a família adotar uma nova rotina de estudos para as crianças e dolescentes. Ainda criou, para cada turma, um grupo de WhatsApp composto apenas de pais.

Parceria com as famílias e ferramentas digitais

Na escola de educação remota, o WhatsApp parece ser um aplicativo mais utilizado na Rede Municipal para a manutenção do contato interpessoal, tanto com os pais como com os alunos. Também parece ter sido a rede social mais usada para dar início às atividades remotas. Exemplo disso é a E.M. Bento Ribeiro (3ª CRE), no Méier. Quando as aulas presenciais foram suspensas, foi a ferramenta a qual, primeiramente, recorreu. Segundo o diretor da escola, Will Robson Moreira da Silva, os gestores e a grande maioria dos professores não estavam muito familiarizados com as tecnologias digitais. Foi a vontade de reduzir a distância com a comunidade escolar que fez a equipe diretiva se reunir para debater a necessidade de atualização na área digital e para definir as estratégias de orientação dos docentes quanto à estruturação e à postagem das atividades remotas.

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Will Robson Moreira da Silva, diretor da E.M. Bento Ribeiro. Acervo pessoal

A equipe da E.M. Bento Ribeiro não posta mais suas atividades nem no WhatsApp, nem no Facebook, tal como a EMAC Coelho Neto. Organizou todo o material pedagógico no Google.drive (enquanto a segunda optou por fazer um site próprio no Sites.google). Professores e equipe gestora também aprenderam a usar, pedagogicamente, outras ferramentas digitais – YouTube, Microsoft Teams e Zoom. Já fizeram até lives “para matar as saudades”. Mas para o diretor Will Robson Moreira da Silva, os grupos de WathsApp são os que, realmente, mais ajudaram na aproximação com a comunidade escolar. As ações sociais presenciais da Prefeitura para a entrega de cartões-alimentação e cestas básicas propiciaram um processo de troca ainda mais intenso, consolidando a proximidade, mesmo em situação de isolamento.

A experiência da E.M. Bento Ribeiro mostra que a realidade das escolas é distinta quanto ao acesso dos alunos à internet. Diferentemente do diretor da EMAC Coelho Neto, que se ressente de um alto número de alunos sem acesso regular à web, o diretor Will Robson Moreira da Silva se surpreendeu com o altíssimo número de famílias conectadas. A unidade de ensino tem 500 alunos matriculados e 426 números telefônicos adicionados nos grupos de postagem. "A parceria com as famílias está sendo magnifica! Têm sido incansáveis no acompanhamento das atividades remotas, incentivando nossos alunos, enviando fotos deles fazendo as atividades, apoiando todo o processo. Descobrimos que o laço que nos une é maior que o distanciamento social que nos vemos obrigados a cumprir para preservar a vida de todos”, comemora o diretor.

Projetos

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Maria Eduarda, da classe especial da E.M. Maestro Francisco Braga, exibindo a atividade escolar por ela realizada. Reprodução Facebook

A parceria estreita com as famílias tem sido peça-chave para o sucesso da educação remota. A equipe da E.M. Maestro Francisco Braga também não abre mão do WhatsApp, nem do telefone. Além disso, para reforçar o conceito de comunidade e união, criou o projeto Mais Unidos do Que Nunca, onde os professores produzem atividades de vídeos e os pais enviam fotos e vídeos de seus filhos realizando os exercícios, criando, em cada turma, um senso de vínculo e pertencimento. A escola também tem se esforçado para propor tarefas divertidas e dinâmicas, que se inserem no currículo, como, por exemplo, aprender a fazer uma coreografia junto com a família. Na Educação Infantil e Especial – onde, aparentemente, as experiências remotas parecem mais difíceis de serem executadas –, o resultado tem sido tão bom, que 80% dos alunos têm acompanhado, de forma regular, as atividades propostas.

Para a escola chegar a tal número de adesão não foi fácil. Com um eixo de trabalho voltado para a convivência e a valorização das relações interpessoais, a distância imposta pelo isolamento social foi muito sentida por todos da E.M. Maestro Francisco Braga. Mas não tinha jeito. Diante da realidade da pandemia, logo perceberam que era preciso se reorganizar. Os professores tiveram papel fundamental no processo. A coordenadora pedagógica enviava as orientações da Secretaria Municipal de Educação e pedia que eles mandassem sugestões de atividades. “Os professores, esses sim se reinventaram e fizeram a diferença”, elogia a diretora Angela Moura. Os cursos remotos promovidos pela SME também foram fundamentais, segundo ela, pois proporcionaram a oportunidade de melhorar a qualificação do trabalho, como a realização de reuniões virtuais para o alinhamento dos projetos. Aliás, as três escolas abordadas nesta reportagem lembraram da importância que tais cursos tiveram para o upgrade do trabalho remoto dos professores e das equipes de gestão.

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O diretor Mário Jorge Pereira de Souza (à direita). Reprodução TikTok

Investir em projetos com potencial de mobilizar alunos de toda a escola também tem sido um viés de trabalho utilizado para garantir a coesão da comunidade escolar. Na EMAC Coelho Neto, por exemplo, foi lançado o Show de Talentos, onde cada um pôde participar, apresentando suas habilidades, fossem elas de dança, canto, desenho, poesia, ginástica, culinária, esporte, capoeira, costura, ou qualquer outra coisa. Os professores tiveram a tarefa de organizar e incentivar seus alunos a fazerem seus vídeos. Uma comissão julgadora coordenada pela direção escolheu os cinco melhores, já postados nas redes sociais para votação pelo público. “Esse projeto tem sido muito interessante. Temos nos deparado com uma gama de habilidades dos alunos que desconhecíamos”, afirma o diretor Mário Jorge Pereira de Sousa. 

As duas escolas de segundo segmento do Ensino Fundamental, a E.M. Bento Ribeiro e a EMAC Coelho Neto, também realizam projetos que visam preparar seus alunos para os concursos de aquisição de bolsa de estudos em escolas particulares e de ingresso nas escolas públicas de ponta do Ensino Médio. “Esse ano, já conseguimos a aprovação de 10 alunos na primeira fase de seleção do Ismart (instituto que identifica jovens talentos de baixa renda para concessão de bolsas em colégios particulares de excelência)”, comemora o diretor da Bento Ribeiro.

Balanço

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O aluno Israel Alves do 7º ano da EMAC Coelho Neto: um dos finalistas do Show de Talentos. Reprodução Facebook

Os gestores das três escolas afirmam que um dos ingredientes primordiais para terem conseguido se adequar à situação de educação remota foi a união da equipe e a vontade de superação das dificuldades. Reconhecem que o isolamento social promoveu algumas perdas, mas também vários ganhos, principalmente no que diz respeito à aquisição de novas ferramentas pedagógicas digitais, que poderão ser agregadas ao ensino presencial, quando as unidades de ensino voltarem a abrir suas portas. “Creio que essa experiência vai propiciar instrumentos de trabalho interessantes para essa geração que vive no mundo virtual com tanta intensidade”, avalia a diretora Angela Moura, da E.M. Maestro Francisco Braga. Mário Jorge Pereira de Sousa, da EMAC Coelho Neto também acredita nisso.

Will Robson Moreira da Silva, da E.M. Bento Ribeiro, acredita que o atual período de ensino remoto tem sido de tanta aprendizagem, que os ganhos foram maiores que as perdas: “Nossa equipe gestora tem a clara percepção de que toda crise deve ser revertida em oportunidade de crescimento e aprendizado. Assim nós fizemos. A Bento Ribeiro se solidificou como lugar de destaque na educação, primando pelo desenvolvimento de uma nova pratica pedagógica e revertendo o distanciamento físico em empatia e parceria. Podemos dizer, sem medo de errar, que ganhamos mais do que perdemos, que hoje somos mais unidos e melhores que ontem”.

 

 

 

 

 

 

 

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