12 Fevereiro 2020
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BNCC eduinfantil interno
Crianças da E.M. Sarmiento vivenciando experiências de corpo e movimento. Foto: Alberto Jacob Filho, MultiRio

O ano letivo de 2020 começa sob a égide da implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), nas Redes de Ensino. Isso significa, entre outros aspectos, que é preciso propor currículos que assegurem conceitos e práticas que contemplem as diretrizes contidas nesse documento.

Importante marcar que a Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica reafirma a concepção que vincula o cuidar ao educar, como elementos indissociáveis no processo educativo. Portanto, compreender as Unidades de Educação Infantil como lugares de desenvolvimento e aprendizagem é primordial para a compreensão das ideias e propostas preconizadas pela BNCC.

“A ideia dicotômica entre cuidar e educar ainda é muito forte na sociedade em geral. Nossos professores e diretores têm acompanhado as discussões sobre currículo e já estão em sintonia com as concepções e perspectivas da BNCC”, avalia o professor Marcelo Fernandes do Nascimento, assessor especial do Gabinete da Secretaria Municipal de educação (SME), responsável pelo trabalho com a Primeira Infância.

Criança-sujeito

A ideia básica da BNCC é reconhecer e trabalhar, de forma lúdica, com as múltiplas potencialidades das crianças. Segundo Aristeo Leite Filho, pedagogo e professor do curso de especialização em Educação Infantil da PUC-RJ, mais da metade da estrutura cerebral dos humanos é desenvolvida até os seis anos de idade. É nessa fase da vida que, por exemplo, se distingue a diferença das cores e das formas, entre o eu e o outro, que se desenvolve a noção de quantidades e de identidade... Por isso, é importante desenvolver inúmeras potencialidades que estão se constituindo durante a primeira infância. “Não à toa, elas são curiosas e fazem inúmeras perguntas, muitas vezes difíceis de serem respondidas pelos adultos”, disse durante a 9ª Jornada Pedagógica da Educação Infantil, promovida pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

BNCC eduinfantil menina
E.M. Sarmiento. Foto: Alberto Jacob Filho, MultiRio

Aristeo Leite filho também chama atenção para o fato de que a BNCC não opera com o conceito de ensino durante a primeira infância, mas com o de educação. “Até pouco tempo, se dizia: escola ensina e a família educa. Mas a BNCC não fala de Ensino Infantil. E sim de Educação Infantil. Ensino, só a partir do primeiro anos do Fundamental”, frisa. Daí ser tão fundamental que todos os funcionários da creche ou da escola – da merendeira ao professor – estejam alinhados, embora cada um em sua função, com o projeto que a Unidade está desenvolvendo.

Os bebês, as crianças bem pequenas e as crianças pequenas, foco das ações da Educação Infantil, são reconhecidas como sujeitos de direitos, participativas, repletas de vivências e conhecimentos. Nessa proposta, as experiências das crianças e o contexto em que vivem são os principais fios a serem puxados e desdobrados para que desenvolvam suas potencialidades. Compreende-se que elas levam para a Unidade Escolar uma gama de conhecimentos apreendidos nos contextos familiares e comunitários e que, portanto, elas também são sujeitos do conhecimento e não só da aprendizagem. Daí ser tão fundamental que todos os funcionários da creche ou da escola – da merendeira ao professor – estejam alinhados, embora cada um em sua função, com o projeto que a Unidade está desenvolvendo.

Currículo

De acordo com a BNCC o currículo proposto para a Educação Infantil deve ser organizado em campos de experiência.

CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS

. O eu, o outro e o nós

. Corpo, gestos e movimentos

. Escuta, fala, pensamento e imaginação

. Traços, sons, cores e formas

. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

Além dos campos de experiência, um dos grandes marcos promovido pela BNCC é a sistematização de um currículo específico para a Educação Infantil, envolvendo todos os grupamentos – Berçário, Maternal e Pré-Escola.

Os Direitos de Aprendizagem (conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se), os Objetivos de Desenvolvimento e Aprendizagem e os Campos de Experiência constituem-se como elementos orientadores e facilitadores da organização da prática pedagógica e no currículo da Rede Municipal. Segundo Andrea Aquino, assistente da Gerência de Educação Infantil da SME, o papel do professor é possibilitar que as experiências vivenciadas pelas crianças sejam cada vez mais interessantes e investigativas.

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Andréa Aquino, Sônia Folena e Marcelo Fernandes do Nascimento, da Educação Infantil da SME. Arquivo pessoal

O currículo proposto para a Educação Infantil carioca traz em seus registros os marcos legais e as opções político-pedagógicas adotadas pela Secretaria Municipal de Educação. O documento contém, ainda, as sugestões de práticas pedagógicas enviadas pelo campo e ilustrações ou vídeos de vivências já realizadas com as crianças, nas Unidades Escolares da Rede: “São as contribuições de nossos educadores que foram organizadas de acordo com os objetivos propostos.”, explica Sônia Folena, assistente da Gerência de Educação Infantil da SME.

Na perspectiva de olhar para a primeira infância Marcelo Fernandes do Nascimento esclarece que a Secretaria trabalhará cada vez mais articulada com as áreas de Saúde e Assistência Social, em sintonia com os debates nacionais e internacionais sobre Infância e Educação.

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