19 Julho 2019
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Astronauta na superfície lunar na missão Apollo 11 (Nasa on The Commons)

“Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”. A frase do astronauta Neil Armstrong que entrou para a história no marco da chegada do homem à Lua - feito que completa 50 anos no dia 20 de julho - poderia também descrever a divulgação da ciência que acontece nas escolas. O contato com os temas de Ciências por meio da abordagem da disciplina em sala de aula e de atividades relacionadas ajudam a construir o conhecimento científico e a despertar interesses e vocações entre crianças e jovens.

Em artigo, Carolina Brandão Gonçalves, professora doutora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e pedagoga do Museu Amazônico/Ufam, e Jhonatan Luan de Almeida Xavier, mestre em Educação e Ensino de Ciências da Amazônia pela UEA, indicam que as atividades de divulgação científica nas escolas são complemento importante aos livros.

“As atividades proporcionam aos alunos a prática dos conhecimentos aprendidos na teoria, evitando, assim, interpretações equivocadas de fatos científicos e uma ampla visão acerca do assunto. Consideramos importantes os trabalhos sobre os métodos de divulgação científica nas escolas, seu valor para o acesso dos estudantes às informações científicas e o seu papel fundamental como incentivo ao surgimento e novos talentos para a área de ciência e tecnologia”, explicam os pesquisadores no estudo publicado na Revista Amazônica de Ensino de Ciências.

Planetário do Rio (Foto: Alberto Jacob Filho)
Planetário do Rio (Foto: Alberto Jacob Filho)

A experiência da aula-passeio no Planetário do Rio, realizada no início de julho pela professora Ana Cláudia Passos dos Santos e seus alunos do 6° Ano Carioca, da Escola Municipal Hildegardo de Noronha (6ª CRE), em Anchieta, mostra o papel dessas atividades para a consolidação da aprendizagem em Ciências e para despertar o interesse dos estudantes pela área.

“Durante o passeio ao Planetário, percebi que alguns alunos já conheciam o tema por terem procurado sobre o assunto fora da sala de aula. Além de ajudar a despertar o interesse das crianças, essas atividades permitem conhecer as aptidões delas por determinado assunto, como as ciências”, diz a professora Ana Cláudia.

Segundo o diretor de Astronomia da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro, Alexandre Cherman, a infância é a melhor fase da vida para se aprender, inclusive ciências. “A curiosidade natural faz das crianças cientistas, empreendendo a busca pelo conhecimento de forma empírica pelo método científico de formulação de hipóteses e experimentações. Ao reconhecermos isso, o Planetário abraça sua função principal, que é a de inspirar o público a querer sempre buscar mais conhecimento”, afirma o astrônomo e doutor em Física.

O primeiro passo na Lua

A pegada de um dos primeiros passos na superfície lunar durante a missão Apollo 11 (Nasa on The Commons)

Em 20 de julho de 1969, a tripulação da Apollo 11 conseguiu realizar o feito de chegar à superfície lunar, aonde os astronautas americanos Neil Armstrong - que deu o “pequeno passo” e cunhou a frase que ficaria famosa - e Edwin "Buzz" Aldrin chegaram após pousarem com o módulo lunar Eagle na região conhecida como Mar da Tranquilidade. O outro integrante da Apollo 11, o astronauta americano Michael Collins, permaneceu no módulo de comando Columbia, na órbita da Lua. A missão da agência espacial americana, a Nasa (em inglês), continuava os esforços do projeto Apollo, que tinha entre seus objetivos desenvolver um programa de exploração científica na Lua. 

Armstrong se tornou, então, o primeiro ser humano a deixar sua pegada fora do planeta Terra, no início de uma caminhada na qual ele e Aldrin exploraram a superfície da Lua por duas horas e meia, coletando amostras e fazendo registros fotográficos. A reentrada na Terra aconteceu no dia 24 de julho daquele ano, encerrando a jornada que havia começado em 16 de julho de 1969, com o lançamento do foguete da missão Apollo 11 no Centro Espacial Kennedy (Estados Unidos), e entrou para a história como a primeira missão espacial tripulada a pousar na Lua e retornar ao planeta.

Assim como, há 50 anos, o feito dos astronautas americanos causou comoção mundial e fez com que pessoas de todo o mundo acompanhassem os esforços de cientistas na exploração do espaço, esse é um tema que, novamente, ajuda a voltar o olhar de crianças e adultos para os corpos celestes e a área que os estuda.

“São momentos como esse que tornam a ciência protagonista da vida das pessoas. Há matérias de jornais, há eventos, há uma convergência de assuntos que levam a um debate sobre ciência. Nós, cientistas e educadores, temos que aproveitar esses momentos, quando a população está mais aberta ao saber científico, para cultivá-lo e vê-lo florescer”, ressalta o diretor de Astronomia do Planetário do Rio.

Segundo a professora Ana Cláudia dos Santos, marcos históricos da ciência, como os 50 anos da chegada do ser humano à Lua, ajudam a trabalhar conteúdos da disciplina com os alunos. “Isso chama a atenção deles. Trabalhar a data permite relembrar essas conquistas, os avanços científicos e tudo o que o homem tem feito. Estimula ainda mais a descoberta e a curiosidade entre os alunos”, diz.

Um pequeno passo, um salto gigantesco para o aluno

Alunos da E.M. Hildegardo de Noronha fazem aula-passeio ao Planetário do Rio (acervo da escola)

A professora levou duas turmas do 6º ano (1601 e 1602) a uma visita ao Planetário do Rio, na Gávea, no começo de julho. As atividades sobre astronomia desenvolvidas por Ana Claudia começaram a partir dos conteúdos de Ciências do Material Didático Carioca para o 1º semestre do 6º ano que, entre outros, inclui o Sistema Solar e conta um pouco da história da chegada do homem à Lua. Após o contato com o assunto em sala de aula, os alunos fizeram maquetes sobre o Sistema Solar, em uma exposição que envolveu toda a escola. A aula-passeio ao Planetário aconteceu como parte dessas atividades e permitiu que os estudantes conhecessem com mais detalhes e ludicidade a história da conquista da Lua e outros temas de astronomia.

“A visita foi o ponto alto, pois ajudou a sistematizar o conteúdos com os alunos e colaborou para enriquecer as informações que eles viram em sala de aula. Foi muito importante para eles também ter a oportunidade de visitar um espaço fora da escola. Dos quase 40 alunos que participaram do passeio, somente dois já tinham ido ao Planetário. Durante a explicação, eles prestaram atenção e interagiram, houve uma troca o tempo todo. Ficaram encantados”, conta a professora Ana Cláudia dos Santos.

O intercâmbio com as escolas na ampliação do conhecimento em astronomia já é uma marca do Planetário. “Mais de 80% do nosso público visitante vem até nós através de excursões escolares. Não há como negar: estamos enraizados na Educação - somos, oficialmente, um espaço de educação complementar”, afirma o diretor da instituição Alexandre Cherman, acrescentando que o programa Astrônomo Vai à Escola, que visita unidades da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio, é outra iniciativa para levar conteúdo astronômico de qualidade às escolas que não conseguem ir até o Planetário.

Para a professora Ana Cláudia, esses pequenos passos fora da sala de aula ajudam os alunos a dar gigantescos saltos em direção à construção do conhecimento e a poder vivenciar experiências para além do entorno de onde vivem. “Essas atividades permitem a cada um conhecer, descobrir e aprender, oferecendo aos alunos a oportunidade de ter mais acesso a informação e conhecimento com pessoas especializadas na área, neste caso, da ciência, e de se tornarem multiplicadores em suas famílias e comunidades”, finaliza.

“A ciência é o filtro que temos para lidar com a natureza; ela nos permite entender o funcionamento do mundo e nossa relação com ele. Desenvolver o pensamento científico desde cedo é fundamental para criarmos uma sociedade mais saudável, mais consciente e mais duradoura. E quanto mais cedo isso acontecer na vida das pessoas, mais esse conhecimento se enraíza e se torna uma força motriz”, ressalta o diretor da Fundação Planetário.

Sábado no Planetário

No dia 20 de julho, sábado, data em que se comemoram os 50 anos em que o ser humano pisou pela primeira vez na Lua, o Planetário do Rio está com programação especial. O público poderá conferir a sessão de cúpula A Conquista da Lua em cinco horários, o primeiro às 13h e o último às 17h, além de aproveitar o horário estendido do Museu do Universo, das 12h às 21h, e a exibição de um filme sobre a chegada do homem à Lua, às 15h30, seguida de um debate com astrônomos. A inauguração de uma exposição temporária e de um selo comemorativo e a Observação do Céu a partir das 18h completam o dia de atividades especiais no Planetário (mais informações em http://planeta.rio).

Fontes:
A relação entre a divulgação científica e a escola (artigo).
Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa, em inglês).

 

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