29 Novembro 2018
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Margit Palinkas é uma das estudantes da Rede Pública Municipal de Ensino identificada como tendo altas habilildades. Atualmente, cerca de mil alunos compõem esse grupo, que recebe atendimento suplementar (Foto: Alberto Jacob Filho)

As diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, de 2001, definem os alunos com altas habilidades ou superdotados como aqueles que apresentam grande facilidade de aprendizagem, dominando rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes.

De acordo com estudiosos do tema, outras características comuns entre crianças superdotadas são: extrema curiosidade, boa memória, atenção concentrada, persistência, independência, autonomia, interesse por áreas diversas, criatividade, iniciativa, liderança, vocabulário avançado para a idade, riqueza na fluência de ideias, habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas, alto nível de energia, senso de humor, originalidade para resolver problemas, entre outros.

Os superdotados precisam de estímulo escolar suplementar sob risco de desenvolverem comportamentos considerados inadequados, demonstrando desinteresse pelas atividades propostas para o grupo. Se não forem devidamente estimulados, podem até mesmo apresentar baixo rendimento escolar. Há diferença entre o atendimento a crianças com déficit de aprendizagem, que precisam de complemento à aula cotidiana, e os que apresentam altas habilidades. Nesse caso, o necessário é um suplemento ao que é dado na sala de aula.

Há estratégias que podem ser empregadas nas classes comuns de modo a despertar o interesse e engajamento não apenas do superdotado, mas de toda a turma. A cartilha do MEC Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: altas habilidade/superdotação apresenta alguns exemplos de estratégias metodológicas e pedagógicas aplicáveis na Educação Infantil e no Ensino Fundamental com essa finalidade: utilizar atividades criativas, como dramatizações, produção de histórias e brincadeiras; eliminar redundâncias do currículo; relacionar os objetivos do conteúdo às experiências dos alunos; orientá-los a buscar informações adicionais sobre tópicos de seu interesse, sugerindo fontes de informações diversificadas, como livros e internet; oferecer ao estudante oportunidade de visitar e observar locais variados, como parques, jardim zoológico, jardim botânico, teatros, comércio, galerias de arte, museus, feiras e praças; tratar as diferenças individuais como um fato natural, pois nem sempre o estudante superdotado terá um desempenho excelente em todas as áreas ou atividades.

Segundo Regina Rosa, coordenadora do Laboratório de Altas Habilidades do Instituto Helena Antipoff, atualmente cerca de mil alunos da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro são identificados com altas habilidades. “Esse número está aquém da realidade. Há muita invisibilidade nessa área. O IHA capacita professores para reconhecerem os superdotados, mas ainda não conseguimos cobrir todas as escolas”.

Claudia Feijó é professora de Sala de Recursos na E.M. José de Alencar e também orienta o trabalho com crianças superdotadas em mais oito escolas (foto: prefeitura.rio)

Quando uma criança é identificada assim na Rede Pública Municipal de Ensino, recebe atendimento suplementar em uma das 500 salas de recursos multifuncionais ou em instituições parceiras, como o Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos – Ismart, o Instituto Rogério Steinberg, o Instituto Lecca e a UFRJ. Regina Rosa disse que as zonas Norte e Oeste da cidade têm carência de locais onde esses alunos possam desenvolver seus talentos, mas afirmou que, para 2019, cada Coordenadoria Regional de Educação deverá contar com pelo menos uma dessas salas.

Cláudia Feijó é professora de Sala de Recursos na E.M. José de Alencar (2ª CRE), em Laranjeiras, onde atende 24 alunos superdotados. Além disso, orienta oito escolas sobre o tema. “Gosto de trabalhar com projetos, como o de linguagens, no qual os alunos conhecem diversos gêneros – poesia, crônica, etc – recriam uma história em quadrinhos com suas próprias ideiais e a apresentam. Há sete anos, também levo aqueles de altas habilidades à UFRJ, no Fundão, onde aprendem programação de jogos com o professor Carlo Oliveira, do Núcleo de Ciências da Computação. É muito bom para treinarem o trabalho em grupo, trocando e também abrindo mão de algumas de suas próprias ideias em prol de abraçar o que for consenso no grupo”.

A MultiRio produziu diversos programas sobre o tema. Desde uma capacitação para professores com Jacqueline Mac-Dowell e Regina Rosa, do IHA, na série Interações Pedagógicas; passando por Inclusive Eu, que mostra a questão sob a perspectiva do próprio indivíduo e sua família; até matérias do Portal e entrevistas com especialistas na Audioteca e na série Conceito e Ação.

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