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V Semana de Alfabetização
28 Setembro 2017
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A oficina Mapas da Cidade incluiu o uso de materiais de desenho (Foto: Sandra Machado)

A oficina Mapas da Cidade, que contou com Maria Beatriz Albernaz como dinamizadora, foi oferecida na tarde de 20 de setembro, durante a V Semana de Alfabetização, realizada na Escola de Formação do Professor Carioca – Paulo Freire. “Cartografar é habitar um território existencial”, iniciou a professora da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec). A seguir, fez às educadoras presentes a mesma proposta com que recebe suas turmas no curso de formação de professores, no Instituto de Educação: que desenhassem ou descrevessem, em texto, o trajeto que tinham acabado de fazer, como uma forma de educar a sensibilidade para observar o que existe ao redor. No dia a dia das escolas, não é raro que as crianças das turmas de alfabetização tenham dificuldade de se situar, confundindo noções distintas como bairro, cidade e país. “Acho um tema difícil de trabalhar. Eu mesma tenho dificuldade de me localizar e fico perdida quando venho do Jabour ao Centro, por exemplo. Creio que a oficina pode ajudar nas minhas atividades com os alunos”, afirmou Vívian Santos. 

Do Guia Rex ao Google Maps 

A professora Vívian Santos optou por fazer um mapa colorido de seu trajeto até o Centro (Foto: Sandra Machado)

Maria Beatriz explicou que não se trata, apenas, da visualização do corpo no espaço, mas também de outros aspectos mais sutis, como o tamanho da letra com que se escreve numa linha. “É preciso oferecer outra forma de ler o espaço, aprendendo outros códigos, como a análise de um mapa”, completou. Muitas vezes, crianças pequenas, acostumadas a sair sempre com os responsáveis, não sabem dizer sequer o nome da rua onde moram, nem descrever o que existe ao redor de sua casa. “Tem a ver com a forma como a gente lida com o desconhecido nesta cidade tão grande. E com a percepção das mudanças pelas quais os lugares vão passando... O principal é construir uma relação com o espaço a partir da própria experiência, que não é desvinculada do tempo, lembrando que nenhum mapa é um retrato fiel da realidade.” 

De acordo com a professora, o processo de tentar correlacionar a escrita com a observação favorece o desenvolvimento da subjetividade infantil e de sua habilidade na arte de narrar, principalmente sob a perspectiva da chamada cartografia participativa, baseada nas relações afetivas e conceituais. “Existem relações de poder até mesmo nos modelos diferentes de urbanização das cidades. Vale a pena pedir às crianças para comparar dois mapas e apontar as diferenças. Um bom exemplo é o partido urbanístico colonial de organicidade português, mais curvilíneo, porque respeita os acidentes geográficos, em comparação com o padrão retilíneo espanhol, presente na planta da Missão Jesuítica de São Miguel Arcanjo”, detalhou, para, em seguida, apontar uma alternativa mais acessível. “O professor pode mostrar o mapa do Brasil ao lado do norte-americano, confrontando o riscado orgânico com o retilíneo e, a partir daí, discutir os diferentes processos de ocupação territorial.”

Atenção também diverge 

Reprodução cartográfica da Missão Jesuítica de São Miguel Arcanjo, fundada em 1632 (Fonte: Wikipedia)

Para a educadora, existem dois tipos de atenção: a atenção seletiva, que foca no assunto, e a atenção flutuante, bastante reprimida na escola. Para algumas pessoas, no entanto, flutuar ao redor antes de pousar os olhos sobre determinado assunto é uma necessidade que deveria ser respeitada. Ela recomendou aos professores que peçam a seus alunos para fazer um mapeamento afetivo da escola e, depois, do entorno, a fim de trabalhar com a noção de vizinhança. Mas alertou: se preparem, porque desenho de criança não respeita escala.

 

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