28 Agosto 2017
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A indústria do fumo coloca, de propósito, cigarros à venda ao lado de produtos infantis, como balas

Já reparou que em diversos pontos de venda, como bancas de revistas e padarias, os cigarros ficam ao lado de doces e produtos para crianças? Isso não é obra do acaso – trata-se de marketing pensado e bem pago pela indústria do tabaco, com o objetivo de fisgar seu principal público-alvo: os jovens. “A estratégia mais recente são os aditivos de sabores e aromas: tornam os cigarros mais palatáveis, facilitam a tragada, potencializam a ação da nicotina e atraem o público adolescente”, explica Anna Monteiro, diretora de comunicação da Aliança de Controle ao Tabagismo, uma ONG que atua na contenção dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis.

 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição dos aditivos há quatro anos, mas a indústria conseguiu liberá-los liminarmente. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não deu a palavra final sobre a questão.

A batalha é dura. Apesar de os aditivos continuarem disponíveis no mercado, o Estado brasileiro, por outro lado, também joga a favor da saúde pública. Em 2005, fomos um dos primeiros países a assinar o tratado internacional da OMS que implementa o controle do tabaco no mundo. Atualmente, 179 países fazem parte do acordo.

No Brasil, as ações de controle e prevenção envolvem as 26 secretarias estaduais de saúde e também os municípios. Com isso, temos a maior redução de prevalência do cigarro no mundo. Segundo Liz Maria de Almeida, gerente da Divisão de Epidemiologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tratamento para deixar de fumar, no Sistema Único de Saúde (SUS), tornou-se disponível em 2004 e a ampliação dessa rede nas equipes da Atenção Básica se deu em 2013.

Rio de Janeiro

No estado do Rio de Janeiro, existem atualmente 400 unidades com profissionais capacitados e atuantes para ofertar tratamento nessa área, segundo Samir Feruti Sleiman, secretário de Saúde.

O município do Rio desenvolve um trabalho pioneiro desde 1996. Ana Helena Rissin, psicóloga responsável pelo Programa de Combate ao Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, conta que há cinco linhas principais de atuação: estímulo a ambientes livres de fumo; divulgação e aplicação da legislação existente; oferecimento de tratamento para deixar de fumar; prevenção e ênfase nas datas comemorativas referentes ao tema, como 29 de agosto – Dia Nacional de Combate ao Fumo.

Todo esse esforço se justifica. Fumar é a primeira causa de morte evitável no mundo e o fumo passivo, a terceira. O hábito causa 16 tipos diferentes de câncer e 15 doenças crônicas, como enfisema e distúrbios cardiovasculares. Como se isso não bastasse, provoca mais prejuízo do que riqueza econômica, já que o Brasil gasta anualmente R$ 21 bilhões para tratar as doenças decorrentes, via SUS, e arrecada menos de um terço desse total em impostos (pouco mais de R$ 6 bilhões).

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