26 Junho 2017
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EM AyrtonSenna Vilma
A diretora da escola, Vilma Xavier. Foto Alberto Jacob Filho, 2017, MultiRio

No coração da Vila Aliança, comunidade de Bangu que faz limite com Vila Kennedy, Padre Miguel e a maior favela da cidade – a Fazenda Coqueiros, em Senador Camará –, reluz uma escola: a E.M. Ayrton Senna da Silva (8ª CRE), segunda colocada na última avaliação divulgada do Ideb (8,1). Com uma equipe de professores que fazem questão de entregar suas turmas preparadas para o ano subsequente, a unidade costuma ver seus alunos brilharem.

Não são poucos os que já foram aprovados nos exames de seleção do Colégio Pedro II de Realengo, nem os que entram em contato para dizer que passaram para uma universidade pública, mesmo depois de terem saído há tanto tempo da escola, que atende da Educação Infantil ao 5º ano. E mais: a E.M. Ayrton Senna já ganhou diversos concursos realizados por jornais, pela Secretaria Municipal de Educação (SME), pela Associação Comercial de Bangu e por outras instituições.

“Temos inúmeras crianças de contextos familiares complicados, que vivem em situação de risco, estamos localizados em uma comunidade com vários incidentes violentos, mas sempre acreditamos que era possível ensinar com excelência”, diz a diretora Vilma Maria de Lira Xavier, que trabalha lá desde sua inauguração, em 1997.

Para transformar essa crença em resultados, a escola sempre perseguiu a construção de uma cultura de cumprimento de regras e de metas, dirigida não apenas a professores e funcionários: “Quando chega aluno novo, logo avisamos à família que é preciso respeitar o horário, executar as tarefas escolares, ter frequência e compromisso com os estudos”, explica Vilma, adicionando que o engajamento dos responsáveis nem sempre é simples, mas vale a pena persistir.

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A coordenadora pedagógica e professora da Sala de Leitura, Fabiana Barreto, ao lado da vice-diretora e professora da Educação Infantil, Monica Azevedo. Foto Alberto Jacob Filho, 2017, MultiRio

Engana-se quem pensa que a cultura de cumprimento de metas e regras transformou a E.M. Ayrton Senna em um espaço frio e sisudo. A diretora-adjunta, Monica Azevedo, também professora do segundo grupamento da Educação Infantil, conta que logo na primeira semana de trabalho se sentiu acolhida pela escola: “Nos outros lugares em que trabalhei, simplesmente entrava e saía. Já quando cheguei aqui, as pessoas vinham a mim para perguntar se eu estava sentindo alguma dificuldade, se precisava de ajuda, se queria alguma coisa... É isso o que a gente também tenta fazer com os pais e alunos: acolhê-los”.

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A professora do 1º ano, Claudia Orioli, ensinando os conceitos de unidade e dezena com o auxílio da Caixa de Matemática. Foto Alberto Jacob Filho, 2017, MultiRio

A tarefa de fazer com que as crianças gostem de ficar no espaço escolar é abraçada por toda a equipe. Claudia Orioli, da alfabetização, diz que faz questão de que seus alunos tenham prazer em aprender: “Costumo alfabetizá-los a partir de histórias. Gosto muito de trabalhar com alguns livros da Ana Maria Machado, escritos com palavras curtas e simples, indicadas a essa fase da aprendizagem”.

E quando o assunto em sala de aula é Matemática, não faltam jogos, nem uma caixa com vários palitinhos, tampinhas e outras quinquilharias que ajudam os alunos a trabalhar os conceitos e as operações numéricas concretamente, para que, então, ela possa apresentá-los de forma abstrata. “Sempre busco dar aulas bem lúdicas, para as crianças sentirem vontade de participar”, conta Claudia, professora do 1º ano da E.M. Ayrton Senna há 12 anos.

Movimentação e interesse

Para manter as crianças focadas na aprendizagem e aumentar a autoestima delas, a unidade também realiza várias atividades. Além da participação nos concursos já citados, encabeçados por diversas instituições, a escola promove projetos que instigam a vontade de conhecer, que valorizam as diferentes habilidades e desenvolvem o interesse pela cultura e leitura.

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No corredor, jogos que ajudam a exercitar conteúdos de Matemática de forma lúdica estão sempre à disposição dos alunos. Foto Alberto Jacob Filho, 2017, MultiRio

Um deles é a olimpíada interna de Matemática, feita com os alunos do 4º e 5º anos. Os três primeiros colocados são premiados, mas vários ganham medalha de honra ao mérito porque tiveram acertos bem próximos aos dos que subiram ao pódio. Outro projeto é o Soletrando, que tem até um aluno da Educação Infantil participando: Lucas, que, ao observar como se escreve o nome dos amigos (além do seu próprio), entendeu sozinho a lógica da escrita e já lê praticamente tudo. Fora isso, a cada bimestre a escola elege os destaques de cada turma, em que 11 alunos são premiados – três pelo desempenho escolar, dois pela convivência harmoniosa, dois pelo esforço e superação, dois pelo bom inglês e, finalmente, dois pela performance em Educação Física.

Os projetos não param por aí: bimestralmente, acontece o evento O Mundo Encantado da Leitura, que começa com uma contação de história dentro de uma tenda armada no varandão de entrada. Depois, é só relaxar o resto do dia entre os almofadões e livros colocados à disposição. Mas a atividade-xodó da escola é o Canto da Paz, que vem se realizando há vários anos no final de cada período letivo, quando todos os alunos se postam na escadaria de acesso e cantam em coro para a comunidade ouvir. “O evento é um sucesso. Muita gente, até de outros bairros, vem assistir. A rua fica lotada”, conta animada a diretora.

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Canto da Paz, apresentação de 2016. Captura de vídeo da Web TV, MultiRio

E para reafirmar a importância da escola e a relevância que ela pode ter na vida deles, todo ano os alunos da tarde e da manhã se reúnem para abraçá-la. As palavras da diretora-adjunta Monica Azevedo talvez resumam o sentido desse ato de amor: “Repito sempre um mantra para eles: eu quero, eu posso, eu consigo. Cresci na comunidade da Palmirinha, em Honório Gurgel. Por meio da Educação, abri o mundo pequeno que recebi da minha família. Se eu consegui, eles também conseguem”.

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