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Olimpíadas curriculares
29 Março 2017
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Cerimônia de premiação Obmep 2015

A mais tradicional entre as olimpíadas nacionais que privilegiam disciplinas curriculares é a de Matemática. A Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) acontece desde 1979 e a Olimpíada Brasileira das Escolas Públicas (Obmep) começou em 2005. Essas provas são promovidas pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e reúnem, atualmente, cerca de 18 milhões de estudantes, atingindo a quase totalidade de municípios do país.

Luis Felipe Lins, professor de Matemática da Rede Pública Municipal do Rio de Janeiro, prepara alunos para a Obmep há 12 anos: “Trata-se de inclusão social por meio do estudo. Os alunos podem conseguir bolsas de iniciação científica, com aulas mensais em universidades públicas, além de encontrar outros como eles que gostam da disciplina e perceber que podem vencer”.

Em 2017, há duas grandes novidades envolvendo as competições. Pela primeira vez, as escolas privadas podem participar da Obmep e a OBM passa a funcionar como uma fase mais avançada da Obmep. Poderão se inscrever na OBM os 300 alunos com maior pontuação na segunda fase da Obmep, do nível 1 (6º e 7º anos), e mais 300 alunos do nível 2 (8º e 9º anos), na mesma situação.

Mitchael Martelo, coordenador da Obmep para o Rio de Janeiro, explica que a competição cobra o conteúdo dado nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, por meio de provas de múltipla escolha e discursivas; e a prova da OBM é mais complexa, nos moldes das olimpíadas internacionais, toda discursiva, feita para quem é capaz de entender a linguagem matemática. “Na OBM, inclusive, se busca destaques que possam representar o Brasil em competições internacionais”, diz Martelo.

Sobre a abertura da Obmep para as escolas privadas, Mônica Souza, coordenadora nacional do evento, explica que a iniciativa vem atender a uma demanda desse setor e que amplia o alcance do programa, contribuindo ainda mais com o ensino da Matemática em todo o Brasil.

Rede Pública Municipal na Obmep

Foram 29 escolas públicas municipais do Rio de Janeiro que tiveram alunos contemplados com medalhas na Obmep em 2016. A cerimônia de entrega de medalhas ainda vai acontecer, mas os resultados já foram divulgados. Larissa de Souza Mattos, aluna da E.M. Joaquim da Silva Gomes (10ª CRE), em Santa Cruz, obteve o ouro. Houve, ainda, 11 pratas e 29 bronzes.

João Luiz da Silva, diretor da E.M. Joaquim da Silva Gomes e professor de Matemática, orgulha-se de enumerar os êxitos. “Em 2016, além da medalha de ouro, tivemos mais duas de prata e duas de bronze”. Ele conta que conhecer a prova modificou seu modo de lecionar: “Percebi que o currículo da Rede Municipal não era suficiente para encarar esse desafio, mas vi também que eu sabia ensinar o conteúdo necessário para as crianças e que elas eram capazes de aprender. É o que venho fazendo desde então”.

Medalha Obmep

Outra escola que tradicionalmente conquista medalhas na Obmep é a Francis Hime (7ª CRE), na Taquara. Ano passado, foram uma prata e quatro bronzes. O professor Luis Felipe Lins está à frente da preparação para o concurso “A boa colocação da escola no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) decorre de termos um ensino de Matemática forte. A comunidade disputa para colocar o filho aqui. Temos ex-alunos no Instituto Militar de Engenharia, cursando Medicina na UFF. Os exemplos de sucesso são muitos”. Luis Felipe acrescenta que a prova o transformou também : “Voltei a estudar. As crianças estavam ficando muito espertas. Fiz o mestrado na Unirio e estou cursando o doutorado na UFRJ, para acompanhá-las”.

Obmep 2017

A Obmep é promovida com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e do Ministério da Educação (MEC). A inscrição – gratuita para as unidades públicas – é feita pelas escolas, por meio do preenchimento da ficha de inscrição no site da Obmep até 31 de março.

As questões propostas na primeira fase apresentam conteúdos previstos nos Parâmetros Curriculares Nacionais e a preparação pode ser feita com o material didático elaborado pela Obmep.

Além desse material, o site da OBM disponibiliza 40 edições da revista Eureka, especializada no tema, contendo artigos relevantes na preparação para o concurso, em maior número dirigido ao Ensino Fundamental porque é o segmento mais carente de bibliografia adequada. O material constitui fonte de pesquisa para professores de Matemática do Ensino Fundamental e Médio em geral.

Os alunos de escolas públicas premiados com ouro, prata ou bronze e matriculados em escolas públicas em 2018 poderão participar do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC Jr-OBMEP). A participação no PIC inclui o recebimento de uma bolsa de Iniciação Científica Jr do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A estrutura e o planejamento do programa serão definidos e divulgados no início de 2018.

Festival

Além das olimpíadas, esse ano o Impa promoverá, de 27 a 30 de abril, um evento inédito voltado para crianças a partir de 2 anos e adolescentes, envolvendo toda a família. Haverá oficinas, protótipos em 3D, jogos eletrônicos, teatro, entre outras atrações. O local e a programação ainda serão divulgados no site do instituto.

Links:

OBM

Obmep

Impa

Revista Eureka

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